A gringa dinamarquesa

Ana Audun na DinamarcaAo viver longe do seu país você acaba sem perceber perdendo alguns hábitos tradicionais do seu país e adquirindo outros, o que te deixa meio no limbo, já que você nunca vai ser um nativo do país que mora e os amigos e a família começam a te achar um gringo nato.
Ana Elisa Audun, nasceu na Paraíba, cresceu em Manaus e hoje vive em Copenhague. Mora com o marido Thomas, que foi a razão da mudança para a Dinamarca, em julho vai fazer 6 anos que esta na Dinamarca.

Nome:
Ana Elisa Audun

-Qual sua idade?
Jesus precisa mesmo falar?🙂 33 anos.

– Quando surgiu a idéia de residir no exterior?
Na verdade eu tinha um sonho de fazer um mestrado no exterior e o meu foco era o Canadá ou a Alemanha, nunca tinha pensado em viver na Dinamarca, mas quando eu conheci o Thomas tudo mudou e mudei para cá quando decidimos nos casar.
Ana Audun na Dinamarca

– Foi difícil conseguir o visto de residência ou o visto de trabalho?
Como o meu visto foi o de família ele saiu super rápido, em um mês e com ele chegou também o seguro de saúde.

– Você tem seguro saúde? Foi difícil obtê-lo antes ou depois da sua chegada?
Como falei antes, recebi junto com o visto e hoje tenho também um seguro privado que recebi do meu trabalho.

– Você trabalha? Como a renda familiar é obtida?
Eu trabalho com eventos, hoje eu faço parte da equipe que faz a maior feira de trabalho (Career Fair) da Dinamarca, eu consegui este emprego através do meu emprego anterior, no qual eu fazia eventos para os estudantes de mestrado da Copenhagen Business School, onde eu trabalhava como Coordenadora de eventos.
Eu comecei na CBS quando eu tinha oito meses na Dinamarca, antes eu trabalhei fazendo supermercado para velhinhos e numa loja de bolsas num shopping perto da minha casa.
Consegui o emprego na loja procurando no shopping com o CV na mão e conversando com a Gerente com o Dinamarquês super básico que eu tinha na época.
Já o emprego na faculdade, eu consegui depois de participar numa conferência como voluntária quando eu estava fazendo o curso de verão para ver se eu conseguia entrar no mestrado, a minha ex chefe estava lá, gostou de mim e acabei entrando depois como coordenadora de eventos.
Parece fácil né? Mas não foi, eu mandei milhares de CV, para vários anúncios que vi na internet e acabei sendo chamada para apenas uma entrevista, mas acabei não conseguindo o emprego, já estava ficando deprimida, foi quando eu decidi tentar numa loja e voltar a estudar.
No Brasil eu trabalhava no cerimonial e na ouvidoria do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas.

– Se a resposta anterior foi sim, você mudou de área depois da saída do Brasil ou continua no mesmo setor?
Não é o mesmo setor mas eu continuo trabalhando com eventos.

– Você fala a língua local? Você acredita que é importante aprender a língua local?
Sim eu falo dinamarquês fluente, mas não perfeito, e já tinha um inglês de nível avançado quando morava no Brasil (quando cheguei aqui tive que fazer um Toefl no qual eu fiquei com a nota A, tinha que ter no minimo B para entrar na universidade).
O dinamarquês me ajudou muito, só consegui o meu primeiro emprego por que as pessoas ficavam impressionadas pelo fato de que com poucos meses aqui eu já conseguia levar uma conversa básica para frente.
Além disso, a língua é super importante para conseguir entender melhor a cultura do país e me comunicar com todos, alguns membros da velha guarda da família do Thomas, por exemplo, não falam Inglês.
Para aprender rápido no primeiro ano aqui eu deletei todas as músicas do meu Ipod em inglês e português, substituindo tudo por músicas e lições em Dinamarquês. #alouca!

– O que você pensa sobre seu novo país e o local onde mora (e/ou onde morou)? Eles respeitam os Brasileiros e outros expatriados vivendo nesse país?
Os dinamarqueses e escandinavos em geral tem um certo amor pelo Brasil a maioria tem o país como sonho de consumo tanto para viver como para passar férias, até hoje tem gente que me pergunta como é que eu deixei o Brasil para morar aqui.
Existe sim um respeito pelos brasileiros, mas ainda acho que por ser um país extremamente protecionista, tem uma sempre diferença entre ser local ou expatriado, demora um pouco para se conseguir fazer amigos e as pessoas são mais fechadas, tirando isso eu gosto muito daqui, tudo é super organizado e as coisas realmente funcionam, sem contar que é super seguro e as pessoas tem uma cabeça mais aberta.
Ana Audun na Dinamarca

– Você tem filhos? Se sim, eles se adaptaram ao novo país? Estudam e têm amigos locais?
Não temos filhos.

– Sente saudades da familia no Brasil? Sente falta de produtos, alimentos e outras peculiaridades?
Sinto muita falta dos amigos e da família, neste sentido os primeiros anos foram super difíceis, mas com o tempo a gente se acostuma (ou se conforma), eu tive muita sorte de ter amigos que vêm me visitar todos os anos ou nos encontramos numa viagem em algum lugar do mundo, minha família também aparece para visitar e tentamos ir ao Brasil também.
Quando alguém vem me visitar aqui, se for do Amazonas tem trazer farofa e pão de queijo, ano passado uma amiga trouxe umas frutinhas descascadas (tucumã) típica do Amazonas e me acabei de felicidade e de comer, no mais eu adoro a comida daqui também, então procuro não pensar muito nas iguarias que eu não tenho acesso aqui e deixo para comer com gosto quando estou no Brasil.
Ana Audun na Dinamarca
Ana Audun na Dinamarca

– O que costuma fazer nas horas vagas, finais de semana e feriados? Quais as atividades recreacionais existentes?
Eu mudei muito o meu estilo de vida aqui, no Brasil eu adorava sair para festas e aqui acabei virando maratonista (meia maratona, conta, né?), por isso eu acabo saindo pouco a noite, mas em compensação eu adoro ir a um café tomar uma taca de vinho ou um “Latte” e conversar com os amigos e olhar as pessoas passando, é um hábito típico Europeu e eu confesso que adoro, no verão vamos a praia, aos parques, fazemos muito churrasco com os amigos em casa, picnic nos lagos e parques. No inverno dá para patinar no gelo, correr, e se reunir com os amigos nas baladas ou em casa mesmo.
Viajamos também sempre que podemos, e somos fãs de cinema e séries de TV, alguém falou Game of Thrones aí?
Eu também participo de um clube de corrida do qual sou uma das treinadoras, é um trabalho voluntário que está sendo maravilhoso e o foco é ensinar as pessoas a correr 5km.
Ana Audun na Dinamarca

– Você tem planos para o futuro? Pretende viver nesse país para sempre?
Eu não pretendo me mudar da Dinamarca, já me acostumei aqui, meus planos estão em me concentrar na minha carreira, mas se surgir uma oportunidade nós estamos abertos.

– Você comprou ou alugou o local que reside? Quanto pagou ou paga por isso?Comprar imoveis é algo comum nesse país?
O imóvel que vivemos hoje é uma casa própria, comprar imoveis é algo comum na Dinamarca, e e existem formas diferentes para a compra, como comprar um apartamento em comunidade, é mais barato, mas você meio que divide o apartamento com o condomínio e a Dinamarca, tipo não se pode fazer nada, nenhuma modificação sem a aprovação dos outros, mas é só a sua família que reside no seu apê, e tem também o modo normal como no Brasil, onde você é o dono e faz o que quer.
Prefiro não colocar o valor, mas apesar de ser bem carinho aqui, podem ser encontrados imóveis com valores para todos os gostos e bolsos.

– Qual o custo de vida?
O custo de vida é bem elevado, mas tem muitas coisas como plano de saúde, educação que já são inclusos no imposto.
Não dá para uma família viver aqui com menos de 8 mil reais, antes dos impostos.

– Quais os pontos positivos e negativos de morar nesse país?
O frio, aqui eles falam que tem o inverno verde e o branco, o verde é o verão, o verde é representado pelas arvores sem folhas e o branco pela neve, nunca faz calor aqui, e quando faz é uma festa, artigo de luxo literalmente.
O melhor de tudo é a segurança, nossa é bom demais andar na rua, correr nos parques ou nas florestas sem se preocupar, tem gente que volta das baladas a noite sozinha para casa andando ou de bike, não dá para fazer isso no Brasil..

– Qual a curiosidade que mais te chama a atenção nesse país?
Uma coisa que me impressionou muito aqui foi a forma como os dinamarqueses votam, eles sabem tudo de cada candidato, o partido, as propostas, quem disse o que, e discutem incansavelmente politica até dia da votação, que não é obrigatória, mas todos fazem questão de votar.

– O país que você reside tem alguma coisa que é usado no dia a dia que você acha que seria interessante ser implementado no Brasil?
O transporte público aqui funciona e é medido no relógio, dá para ver na internet a hora que o trem, metrô ou ônibus vai passar e pode esperar que vai chegar na hora certinha, o metrô já foi eleito várias vezes o melhor do mundo.
Bicicletas, o país tem ciclovias em todo lugar e até sinal de trânsito para as bicicletas é um dos principais transportes públicos.

– Você tem sugestões ou dicas para pessoas que pretendem viver nesse país?
Procure vir já com um inglês bem afiado, muitas universidades aqui tem programas excelentes de mestrado e doutorado que aceitam estudantes do mundo todo, já conheci muitos Brasileiro que vieram estudar aqui e acabaram ficando.
Ana Audun na Dinamarca

– Se pudesse descrever em uma palavra a experiencia que esta vivendo nesse país, qual seria?
Paciência.
Paciência para arrumar emprego, para aprender a língua, os costumes, para esperar o dia de receber a família aqui ou viajar ao Brasil…

– Você gostaria de recomendar algum web site ou blog relacionado à esse país?
Para quem gosta de viajar ou de corrida eu tenho um blog que dá várias dicas, o www.planningmytravels.com, ainda não está com todos os destinos que conhecemos, mas aos poucos estou atualizando.
Para quem quer conhecer mais da Dinamarca visite também:
http://www.nyidanmark.dk
www.workindenmark.dk

8 Respostas

  1. Eu admiro sua dedicacao, persistencia e paciencia.A dinamarca eh um pais muito bonito….mas eh um pais para poucos!Conheco gente que amou a beleza deste pais frio,mas o frio e a beleza parecem que nao foram o suficiente para muitos conseguirem ser felizes.Eh bem different o ritimo de vida de um Dansk e Brasileiros.PEsQuisem muito quem quer um dia se dar bem como vc se deu….parabens and all the best!

  2. Obrigada pela oportunidade Mirella. Beijão

  3. Republicou isso em Planejando minhas viagens – Blog de Viageme comentado:
    Para quem estiver interessado em conhecer um pouco mais sobre essa blogueira que vos fala, tem entrevista comigo no blog Entrevistando Expatriados.🙂

  4. Muito legal! Eu estive em Copenhagen em um dia no final de maio. Estava o maior sol! Andei o dia todo, vestindo um jeans justinho e top sider e no final do dia tinha a marca do sol do peito do meu pé😉 Tive sorte! Parabéns pela adaptação e conquistas🙂

  5. Muito bom o post. Fico imaginando quando vou alcançar esse mindset. Ainda não consigo me imaginar vivendo para todo o sempre aqui nos EUA. Mas, vamos ver né?🙂 bjão

  6. Ah Anderson demora um pouco o primeiro e o segundo ano são complicados a saudade aperta muito, mas nunca sabemos do futuro. Bjos

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