Enquanto isso no Vale…

Ana Flores nos EUAAna Flores e o marido estavam com plano de participar do programa de imigração do governo australia, mas quando menos se esperava, surgiu uma oportunidade nos Estados Unidos e lá foram eles para essa nova aventura no Vale do Silício, California. Como dica de expatriada, Ana diz: “o importante é abrir a cabeça, não ficar comparando…”.

– Nome:
Ana Flores de Moraes

– Onde nasceu e cresceu?
Curitiba – PR

– Em que país e cidade você mora?
Cupertino – Califórnia – USA, uma pequena cidade próxima a San Francisco.
Ana Flores nos EUA

– Você mora sozinho ou com sua familia?
Com meu marido

– Há quanto tempo você reside nesse local?
Há seis meses

– Já residiu em outro(s) país(es) antes dessa experiencia?
Não, está é nossa primeira experiência.

– Qual sua idade?
30 anos

– Quando surgiu a idéia de residir no exterior?
A ideia de morar fora surgiu há cerca de dois anos, quando encontramos um programa do governo australiano para profissionais de determinadas áreas nas quais os país era carente. Meu marido, Juliano, trabalho com Tecnologia e se adequava ao perfil. Entramos com o processo e aguardamos cerca de um ano até sua conclusão. Quando o visto finalmente chegou, ele recebeu a proposta da empresa na qual trabalhava no Brasil, uma multinacional americana, para ser transferido para a Califórnia.

– Foi difícil conseguir o visto de residência ou o visto de trabalho?
Nosso caso foi super tranquilo, pois a empresa para o qual meu marido trabalha providenciou tudo. Tivemos, basicamente, que ir ao Consulado para a entrevista.

– Você tem seguro saúde? Foi difícil obtê-lo antes ou depois da sua chegada?
Sim, temos pela empresa seguro médico e odontológico.

– Você trabalha? Como a renda familiar é obtida?
Desde que cheguei aqui, tenho somente estudado o idioma. Trabalhava como jornalista no Brasil, e conseguir um emprego nessa área em um país estrangeiro sem domínio do idioma é impossível. Meu marido trabalha na mesma área em que atuava no Brasil.
Ana Flores nos EUA

– Você fala a língua local? Você acredita que é importante aprender a língua local?
Havia estudado inglês no Brasil, mas quando chegamos aqui nos damos conta do quão fraco é o ensino. Os primeiros meses foram muito difíceis, tinha a impressão que nunca entenderia os nativos. Com o tempo, você vai acostumando o ouvido e tudo fica mais fácil. Atendentes de lanchonete e lojas, ainda são um desafio – às vezes entendo, outras parece que eles estão falando grego.
Nossa cidade está localizada no Vale do Silício, para onde as grandes empresas de tecnologia costumam trazer profissionais de todas as partes do mundo. Isso facilita muito as coisas, pois os nativos estão acostumados com os estrangeiros, com todos os tipos de sotaques, com as dificuldades de comunicação. Na grande maioria das vezes, eles são pacientes, repetem, tentam te explicar, fazem mimica, e um pouco de tudo para fazer-se entender. Só tenho a agradecê-los em relação a isso.

– O que você pensa sobre seu novo país e o local onde mora (e/ou onde morou)? Eles respeitam os Brasileiros e outros expatriados vivendo nesse país?
Não posso falar por todos os Estados Unidos, mas nossa área é um oásis para os estrangeiros. Como eu disse, há gente aqui de todos os cantos do mundo. Há restaurantes, mercados, lojas especializados para atender todas as culturas. Como a maioria dos estrangeiros residentes aqui são convidados de alguma empresa norte-americana, há um respeito muito grande por todos. Eu, até o momento, não enfrentei qualquer tipo de problema por ser estrangeira. Quando dizemos que somos brasileiros geralmente vemos um sorriso se estampar no rosto das pessoas, que começam imediatamente a conversar sobre isso. As pessoas acham legal e tem muita curiosidade sobre o nosso país. Eles costumam descrever os brasileiros como um povo festeiro, alegre e ótimos amigos.

– Você tem filhos? Se sim, eles se adaptaram ao novo país? Estudam e têm amigos locais?
Não

– Sente saudades da familia no Brasil? Sente falta de produtos, alimentos e outras peculiaridades?
A família faz muita falta. Para mim não tem sido tão difícil, pois eu já vivia longe da minha cidade há cerca de cinco anos, estava acostumada com a distância. Talvez para pessoas que costumam viver com os pais ou convivem diariamente com a família seja mais traumático. De qualquer maneira, a tecnologia de hoje ameniza muito a distância. O Skype é a maior ponte. Com internet no celular fica ainda mais fácil, pois é possível receber ligações do Brasil por telefone, o que dá uma imensa sensação de estar pertinho.
Os mercadinhos brasileiros também dão a impressão de estar mais perto e ajudam quando bate aquela vontade de algum sabor de casa. Independente deles, com o tempo a gente vai aprendendo a fazer compras, encontra produtos alternativos que podem tranquilamente substituir aqueles que tínhamos. Até agora, só não achei substituto para a farofa, que é meu vício, mas aí vou ao mercadinho de uma portuguesa que vende produtos brasileiros e fica tudo certo.
Acho que o importante é abrir a cabeça, não ficar comparando. Sempre gostei de experimentar os sabores locais durante minhas viagens. Não vou chorar por falta de feijão, quando tenho as cozinhas de quase todo o mundo disponíveis com sabores maravilhosos.
Ana Flores nos EUA

– O que costuma fazer nas horas vagas, finais de semana e feriados? Quais as atividades recreacionais existentes?
Nossa região oferece programas para todos os gostos, a maioria deles outdoor. Estamos distantes 40 minutos de San Francisco, para onde costumamos ir quando queremos um pouco de agito, estrutura de grande cidade, ou só mesmo aproveitar um pouco da cidade – que é maravilhosa. Quarenta minutos dirigindo para o sul e chegamos em Santa Cruz, onde costumamos ir durante o inverno, quando meu marido vai surfar. Também na estação fria, sempre que possível, subimos para o Lake Tahoe, há cerca de quatro horas daqui, onde podemos praticar snowboard.
Há dezenas de cidades, uma ao lado da outra, para falar a verdade até hoje não sei ao certo em qual estou às vezes. Uma avenida corta todas elas, o que dá a sensação de estar no mesmo lugar. Então, programas não faltam – churrasco, piscina, bar com os amigos, praia, museus… Ainda estamos muito recentes aqui, e quase todos os finais de semana encontramos um programa novo, algum lugar que não conhecemos e que queremos visitar. Em relação a isso, nossos hábitos não mudaram muito – são programas bem parecidos aos nossos no Brasil – excepto a neve, claro, e os programas culturais aos quais não tínhamos acesso. O estilo de vida do californiano é bastante parecido com o do brasileiro, o que faz nos sentirmos mais em casa.

– Você tem planos para o futuro? Pretende viver nesse país para sempre?
Estamos aqui graças ao programa de expatriamento da empresa para qual meu marido trabalha. O contrato inicial é de três anos, podendo ser transformado em permanente. Se isso acontecer, não temos dúvidas sobre ficar aqui. Gostamos muito da cidade, do país e tudo o que temos vivenciado aqui.

– Você comprou ou alugou o local que reside? Quanto pagou ou paga por isso? Comprar imoveis é algo comum nesse país?
Nosso apartamento é alugado. A região onde vivemos é uma das mais caras dos Estados Unidos para se viver devido às companhias aqui instaladas. Uma casa de três quartos bem localizada não sai por menos de US$ 750 mil. Os aluguéis também são bem salgados – a média dos apartamentos de um quarto é US$ 2,500.

– Qual o custo de vida?
Como disse anteriormente, a moradia aqui é muita cara e os valores sobem ainda mais se a família tiver crianças e procurar uma casa próxima às melhores escolas. Geralmente, as escolas somente aceitam moradores das redondezas, por isso a localização deve ser considerada. Começando por ai, talvez uma família de quatro pessoas gaste cerca de US$ 3,500 só com o aluguel de uma casa dois quartos. Alimentação não é tão cara, os preços são similares ao do Brasil e, em muitos casos, inferiores. Comer fora também é bem em conta, é possível ir a um restaurante bom com menos de dez dólares por pessoa, o que no Brasil era impossível. A California é cheia de opções de entretenimento outdoor, o que torna a diversão em família bem mais econômica. Todos os finais de semana é possível encontrar um punhado de atrações free para a família. Depois que você aprende a comprar e aproveitar as promoções, tudo fica ainda mais barato – tanto para comida, quanto para móveis, roupas e outras necessidades. As taxas da California são bem mais altas do que as dos outros estados, o que também pesa no final das contas. Mas, no geral, o pesado mesmo é a moradia – gostando de aproveitar o dia, esportes e natureza, a vida aqui pode não ser tão cara.

– Quais os pontos positivos e negativos de morar nesse país?
Dizem os expatriados mais antigos que os primeiros anos de vida no exterior seguem o ciclo do `Spaghetti`: começa com o medo do novo, as dificuldades da adaptação, passa para a euforia e o encantamento, até chegar no momento em que se começa a ver a vida como ela realmente é, bate a saudades de casa, etc. Creio que ainda estamos em lua de mel com o lugar onde estamos vivendo e, você sabe, em lua de mel não há espaço para defeitos. A cada dia nos deparamos com um novo motivo que nos faz querer construir nossa vida por aqui.
É óbvio que o país não é perfeito, aliás, também enfrentamos desafios a cada dia. Não é fácil superar o choque cultural, mas procuramos respeitar a cultura e os costumes locais. É difícil ter que reaprender tudo de novo: não entender o sistema bancário, ter que tirar carteira de motorista novamente, reaprender a se comunicar… Esses são os pontos negativos que eu poderia enumerar, mas que não são específicos do país onde estamos, mas sim da transição que estamos vivendo. Por isso, nos policiamos sempre para não fazermos comparações com as facilidades que tinhamos no Brasil. Quando temos que comparar, colocamos pontos negativos de nossas cidades, o que nos dá mais força. Por exemplo, quando algo acontece que tenho vontade de desistir, penso `Bom, mas se tivesse no Brasil, estaria assim…`
Talvez eu pudesse citar como ponto negativo o fato do americano não ser tão caloroso como nós. Eles são super educados e receptivos, mas é raro estreitar laços de amizade com eles. Dificilmente (ou nunca) eles te convidam para a casa deles, por exemplo. A maioria dos encontros são em eventos pontuais. A maioria de nossos amigos são estrangeiros que vivenciam a mesma experiência.
O sistema de saúde não me causou uma boa impressão na única vez que o usei. Tudo é muito moderno, organizado, mas se você usava plano de saúde no Brasil certamente também se espantaria com a frieza com que eles tratam os pacientes.
Pontos positivos da cidade onde vivemos há alguns importantes. Viemos de capitais no Brasil (Curitiba e Porto Alegre) e hoje vivemos numa cidadezinha de 50 mil habitantes. As coisas aqui são mais calmas, não há trânsito. Nossa casa não tem grades e nossos pertences ficam no jardim sem nos preocuparmos. Posso andar de vidros abertos em meu carro, o que já não fazia há muito tempo no Brasil desde que vivi algumas experiências bastantes traumáticas. A violência e a insegurança, aliás, foram os principais motivos que nos fizeram começar a planejar uma vida fora.
Ter também é muito mais fácil aqui. Coisas que nunca sonhamos em comprar no Brasil ou que levaríamos uma vida inteira para ter, encontramos aqui por preços 10 vezes menores. É possível sonhar e concretizar.
Ana Flores nos EUA

– O país que você reside tem alguma coisa que é usado no dia a dia que você acha que seria interessante ser implementado no Brasil?
Puxa, eu teria uma dúzia de modelos para citar: planejamento urbano, educação, segurança pública, educação no trânsito…

– Você tem sugestões ou dicas para pessoas que pretendem viver nesse país?
Acho que os Estados Unidos têm, realmente, tudo aquilo que imaginamos de bom e de ruim. Vindo como convidado de uma empresa norte-americana, nosso caso, tudo é muito tranquilo, as portas se abrem mais fácil. A Bay Area é uma ótima região para quem tem filhos pequenos e para quem quer proporcionar aos filhos crescidos um ambiente seguro para se viver.
A economia dessa região gira em torno das empresas High Tech, há muitos empregos nessa área. Para qualquer outro setor, ao contrário, já é bem mais difícil e a taxa de desemprego é considerada alta.

– Se pudesse descrever em uma palavra a experiencia que esta vivendo nesse país, qual seria?
Maravilhosa

– Você gostaria de recomendar algum web site ou blog relacionado à esse país?
http://enquantoissonovale.blogspot.com é o meu blog. Não o criei para falar especificamente sobre nosso dia-a-dia. Falo sobre tecnologia, pois é o que movimenta a economia da região, e junto vou contando um pouco de nossa vida por aqui.

2 Respostas

  1. Que post interessante. Obrigaduuu.
    Boa sorte a voces. Vivam bem, sejam sempre felizes.

  2. Estava com muitas saudades dessas boas entrevistas e vir aqui e ver essa maravilha de entrevista sobre Califa e melhor ainda uma cidade tão pertinho de SF não tem preço🙂 Parabéns!

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