Baririense Na Austrália

Eduardo na AustraliaNascido em uma cidade com apenas 30 mil habitantes chamada Bariri, no interior do estado de São Paulo, Eduardo saiu de casa aos 17 anos para estudar, se formou pela Universidade Federal de São Carlos em 2006 e trabalhou por 4 anos em empresas dos mais variados portes, incluindo multinacionais como Ericsson e Kaizen, além de ter passado 3 meses a trabalho em Shanghai, China. Depois de toda essa bagagem acumulada, decidiu que havia chegado a hora de um desafio maior: desenvolver uma carreira no exterior. Nessa entrevista ele conta porque escolheu a Austrália e como tem sido essa experiência até agora.

– Nome:
José Eduardo Slompo.

– Onde nasceu e cresceu?
Bariri, cidade do interior do estado de São Paulo com 30 mil habitantes.

– Em que país e cidade você mora?
Sydney, Austrália.

– Você mora sozinho ou com sua familia?
Com minha namorada.

– Há quanto tempo você reside nesse local?
Desde que desembarcamos na Austrália, em Fevereiro de 2011.

– Já residiu em outro(s) país(es) antes dessa experiencia?
Morei por 3 meses em Shanghai, China, para um projeto que teve que ser desenvolvido presencialmente no cliente. Foi uma experiência interessante, principalmente por desfazer em mim aquela pré-concepção que a grande maioria de nós tem da China. Shanghai é uma cidade extremamente capitalista, movimentada, ocidentalizada e moderna, o oposto do que todo mundo imagina quando o assunto é China.
Eduardo na Australia

– Qual sua idade?
27.

– Quando surgiu a idéia de residir no exterior?
Durante o tempo em que trabalhei na Ericsson, multinacional sueca, tive contato com muita gente com bastante “tempo de casa” que vivia viajando para projetos no exterior. Conforme eu ia conversando com essas pessoas e conhecendo as suas experiências mundo afora, ia crescendo em mim a vontade de passar por aquilo também. Tive a primeira chance quando passei três meses em Shanghai, mas ainda não foi o suficiente. O que eu queria era construir algo sólido, não de apenas 3 meses, e em um país de primeiro mundo que me valorizasse profissionalmente. A Austrália está sendo esse país que eu procurava.

– Foi difícil conseguir o visto de residência ou o visto de trabalho?
Não foi difícil, apenas exigiu paciência e foco. Havia a tentadora possibilidade de vir para a Austrália com o visto de estudante, que sai em apenas um mês! Mas como ele tem várias restrições com relação às possibilidades de trabalho e não me possibilitaria alcançar o objetivo de desenvolver uma carreira sólida na minha área (TI), mantive os pés no chão e o foco no meu objetivo final, optando pelo caminho do visto de permanente residente. O processo todo levou mais de um ano e custou um bom dinheiro mas valeu cada centavo gasto e cada dia de espera.

– Você trabalha? Como a renda familiar é obtida?
Trabalho desde o segundo dia em que cheguei aqui! Um mês antes de vir comecei a mandar meu currículo para as vagas que se encaixavam em meu perfil profissional de desenvolvedor de software. Foram várias vagas, das quais 12 resultaram em um processo seletivo iniciado ainda no Brasil, via telefone ou Skype. Dos 12 processos, 5 resultaram em uma entrevista presencial marcada para a primeira semana de Austrália. Logo na primeira entrevista já recebi uma proposta, ou seja, arrumei emprego menos de 24 horas depois de desembarcar em Sydney! Não poderia ter sido melhor. Atualmente estou no meu segundo emprego.
Eduardo na Australia

– Se a resposta anterior foi sim, você mudou de área depois da saída do Brasil ou continua no mesmo setor?
Não mudei, continuo na mesma área (TI), trabalhando como desenvolvedor de software. O mercado de TI está aquecidíssimo na Austrália há vários anos e a demanda por profissionais na área não pára de crescer.

– Você fala a língua local? Você acredita que é importante aprender a língua local?
Falo inglês, que é o idioma local (a Austrália foi colônia inglesa). Sem um bom nível de fluência seria impossível ter conseguido emprego na minha área. Uma curiosidade sobre o idioma é que infelizmente há bastantes brasileiros morando ilegalmente em Sydney, principalmente na região de Bondi Beach, em uma espécie de comunidade local e isolada, e há pessoas lá que vieram há mais de dez anos e não falam nada de inglês!

– O que você pensa sobre seu novo país e o local onde mora (e/ou onde morou)? Eles respeitam os Brasileiros e outros expatriados vivendo nesse país?
A Austrália é um país multicultural. Há 20 anos as portas estavam completamente escancaradas para os imigrantes, o que fez com que a população australiana passasse por uma forte miscigenação. Por conta disso, o que se vê em Sydney (não sei como é nas cidades menores e interioranas) é uma mistura de gente de todo canto do mundo. Os australianos estão super acostumados com isso e não têm o menor preconceito – pelo contrário, eles sabem da importância dos imigrantes qualificados para a economia do país e nos tratam muito bem! Ainda falando sobre a miscigenação, acho interessante mencionar a mistura cultural do projeto em que estou trabalhando agora: num grupo de 30 pessoas, há um ucraniano, um chinês, três indianos, um alemão, um neozelandês, uma mexicana, um vietnamita, dois taiwaneses, uma tanzaniana e uma iraniana. A gente até brinca dizendo aos australianos prá eles se sentirem em casa pois a gente não tem preconceito.

– Você tem filhos? Se sim, eles se adaptaram ao novo país? Estudam e têm amigos locais?
Ainda não, mas está nos nossos planos para daqui uns 5 anos.

– Sente saudades da familia no Brasil?Sente falta de produtos, alimentos e outras peculiaridades? Não sentimos falta de quase nada do Brasil: temos calor, temos praias, temos todas as comidas que tínhamos no Brasil, jogo futebol, tomo cervejas de ótima qualidade (bem melhor que as brasileiras), viajo bastante, faço musculação, vejo filmes – enfim, tudo o que fazia no Brasil. As únicas coisas que não dá prá ter aqui são a família e os amigos de longa data, e isso sim faz falta – por isso eu disse acima que não sentimos falta de quase nada do Brasil: o “quase” se refere à família e aos amigos de lá. Felizmente, com o Skype podemos conversar com vídeo diariamente e isso ajuda bastante.

– O que costuma fazer nas horas vagas, finais de semana e feriados? Quais as atividades recreacionais existentes?
Praticamente a mesma coisa que fazia no Brasil: sair com amigos para pubs e restaurantes, assistir filmes, viajar e, quando está quente, curtir uma praia. A diferença é que aqui a gente tem muito mais opções de viagens turísticas, então praticamente todo fim de semana vamos conhecer algum lugar diferente na região.
Eduardo na Australia

– Você tem planos para o futuro? Pretende viver nesse país para sempre?
A ideia de passar o resto da vida aqui é tentadora, mas não vamos ficar aqui para sempre e temos isso bem acertado entre nós. Ainda temos muitos planos para o futuro (morar na Europa, por exemplo) e a Austrália é apenas uma fase, que pode durar poucos ou muitos anos. Talvez depois de realizar todos os nossos planos voltemos aqui prá ficar de vez e ter nossos filhos.

– Você comprou ou alugou o local que reside? Quanto pagou ou paga por isso? Comprar imoveis é algo comum nesse país?
A gente mora em um apartamento alugado. Em Sydney o mercado imobiliário é super valorizado e aproxidamente metade da nossa despesa mensal é com aluguel, algo em torno de 1600 dólares australianos. Comprar um imóvel é uma possibilidade, mas teria que ser como os brasileiros que estão aqui fizeram: um financiamento de 25 anos ou mais. Estou estudando os prós e contras dessa possibilidade, mas ainda não sei dizer se é uma boa alternativa ou não.

– Qual o custo de vida?
Na Austrália em geral as coisas são mais caras do que no Brasil e Sydney é a cidade com o maior custo de vida do país. No começo foi difícil acostumar com as diferenças, mas com o tempo se tornou normal, já que os salários são muito maiores que no Brasil. O item mais caro, como já mencionei, é o aluguel – um apartamento de um quarto no centro da cidade custa em torno de 500 dólares por semana! As exceções são os carros, ridiculamente baratos, e os eletrônicos, bem mais baratos que no Brasil.

– Quais os pontos positivos e negativos de morar nesse país?
Os negativos são os mesmos de se morar em qualquer outro país que não seja o seu local de origem: saudades da família e dos amigos antigos. Todo o resto, absolutamente sem exceções, é positivo.

– Qual a curiosidade que mais te chama a atenção nesse país?
Várias coisas são interessantes na cultura australiana. A principal delas é a tranquilidade do povo local, que se traduz na frase mais dita por eles: “no worries, mate“ (algo como “desencana, cara“). O australiano em geral é bem tranquilo e não é do tipo que tem grandes ambições, por isso é difícil ver algum deles estressado ou ansioso. Outra curiosidade é que eles são grandes bebedores de cerveja.
Eduardo na Australia

– O país que você reside tem alguma coisa que é usado no dia a dia que você acha que seria interessante ser implementado no Brasil?
Daria prá escrever páginas e mais páginas sobre isso, mas vou me ater ao que acho principal: o índice de corrupção, que é um dos mais baixos do mundo segundo a Nation Master: nono lugar, com nota 8.8 (de 0 a 10). O nosso querido Brasil está na 62a posição, com nota 3.7, pior que países como Namíbia, Colômbia, Kuwait e Trinidad e Tobago. No meu ponto de vista, isso, somente isso e mais nada, é o que fez da Austrália “o Brasil que deu certo”. Não fosse a corrupção dos nossos queridos políticos brazucas, o Brasil seria como a Austrália.

– Você tem sugestões ou dicas para pessoas que pretendem viver nesse país?
Fazer um planejamento no longo prazo, sem pressa, para poder juntar o dinheiro necessário e conseguir um visto que possibilite exercer sua profissão na Austrália sem ter que mudar de ramo.

– Se pudesse descrever em uma palavra a experiencia que esta vivendo nesse país, qual seria?
Incomparável.

– Você gostaria de recomendar algum web site ou blog relacionado a esse país?
Deixo o link pro meu blog, lá tem muita coisa sobre como é a vida na Austrália e o mercado de trabalho, além de várias dicas de passeio e de como tirar o visto de residente. Me coloco à disposição para ajudar quem tenha interesse em tirar o visto: http://baririensenaaustralia.blogspot.com

Obrigado pelo espaço e parabéns pelo site!

7 Respostas

  1. Muito bacana sua entrevista,

    obrigado.

    muito sucesso.

    luiz.

  2. Parabens pela entrevista ….muito legal !
    A pagina do blog diz como inexistente …..arrume ai ….para acessarmos ..
    Sucesso !!!
    Kathya

  3. Olá Amigo,

    Informa seu e-mail, gostaria de tirar algumas dúvidas a respeito do processo de cidadania, vc contratou alguma empresa, fez sozinho, como foi?

    Abraços

    Yalle Paixão

  4. Gostei da sua entevista.
    A Australia realmente ‘e muito linda.
    Parabens,
    Muita felicidade.

    Tina Costas

  5. Muito bacana.Gostei muito da Australia tambem.
    Gostaria de saber mais da situaçao do caso do rapaz brasileiro que faleceu.O meu ultimo post foi sobre esse tema.

    Abraços do blog verdadeiraitalia

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