Intercâmbio sem fim

Breno na InglaterraQuando a agência de intercâmbio perguntou a Breno, se ele preferia morar na Inglaterra por 9 meses ou 1 ano, ele respondeu 9 meses. Hoje, seis anos depois, vistos renovados e inúmeras traduções e atrapalhadas, ele continua na capital inglesa (Londres), e embora pretenda passar uma temporada no Brasil em breve, sabe que aquela resposta no começo deste texto seria hoje bem diferente.

– Nome:
Breno Pessoa

– Onde nasceu e cresceu?
Salvador/BA

– Em que país e cidade você mora?
Moro em Londres, na Inglaterra.

– Você mora sozinho ou com sua familia?
Divido um apartamento com um arquiteto italiano. Nos damos super-bem, mas por pura sorte. Encontrei um anúncio para dividir um apartamento num site (www.gumtree.com) e enviei um email.

– Há quanto tempo você reside nesse local?
Há 6 anos, mas inicialmente morei por 2 meses em Surbiton, um distrito charmoso há apenas 45 minutos da capital inglesa, mas sem muito para se fazer!

– Já residiu em outro(s) país(es) antes dessa experiencia?
Não, mas sempre quis morar na Espanha. Talvez um dia!

– Qual sua idade?
33 anos

– Quando surgiu a idéia de residir no exterior?
Sempre quis morar fora, mas nunca pensei que ficaria tanto tempo. Na época, em 2004, era redator de propaganda e pensava que o mercado baiano se resumia a anúncios de varejo. Tinha crises de identidade com isso, me sentia péssimo criando anúncios que focavam em preço. Pedi demissão, fiz uns freelas que renderam uma boa grana, vendi o carro e ao invés de seguir para Sampa, a meca da propaganda, me mandei para Londres. Pensei: vou me renovar, respirar outros ares. Precisava de algo completamente novo.
Breno na Inglaterra

– Foi difícil conseguir o visto de residência ou o visto de trabalho?
A única possibilidade era fazer mestrado. O Reino Unido possui um visto conhecido como Post-Study, que permite residir e trabalhar aqui por até 2 anos, se cursar uma graduação ou mestrado em universidades reconhecidas. Depois, é possível renovar por mais 3 anos, indefinidamente, com tanto que se alcance os pontos. O difícil é que o mestrado custa bem caro – o meu custou um pouco mais de 9 mil libras; e precisa ser pago à vista para cidadãos brasileiros. Depois, há aquela quantidade de provas e materiais a estudar e sobra pouco tempo para se divertir. Por outro lado, estudar na Inglaterra é excelente, você têm acesso às pesquisas mais recentes do seu campo e os professores têm experiência internacional. Além de ser ótimo para o seu inglês.
Breno na Inglaterra

– Você tem seguro saúde? Foi difícil obtê-lo antes ou depois da sua chegada?
A saúde é pública e de ótima qualidade no Reino Unido. Você tem o seu médico (GP – General Practice), que te examina e encaminha para especialistas caso haja necessidade. É grátis tanto para estudantes em cursos de longa duração, quanto para pessoas com visto de trabalho e cidadãos europeus.

– Você trabalha? Como a renda familiar é obtida?
Trabalho atualmente com marketing digital. Meu primeiro emprego foi num café, numa rede italiana que se chama Café Nero. Foi engraçado, eu sempre fui desastrado desde criança, derrubava o leite para um lado, o café para o outro, esquecia os paninis torrando. Tudo dava errado. Depois, fiz alguns trabalhos com garçon em eventos. Num destes eventos, com o príncipe Charles, deixei cair taças de cristal carríssimas, pensei que não receberia por este trabalho, mas eles me pagaram. Trabalhei também para uma revista, uma agência de tradução, uma agência de design e uma empresa que cria software, fazendo traduções. Para todos eles, foi importante falar e escrever bem em Português – além de inglês, claro.

– Se a resposta anterior foi sim, você mudou de área depois da saída do Brasil ou continua no mesmo setor?
Acredito que mudei de área, mas nem tanto. Ainda escrevo e traduzo (como freela), mas trabalho mais com marketing do que com a minha criatividade hoje em dia. É algo que sinto falta, de alguma forma, mas é preciso fazer escolhas, não?

– Você fala a língua local? Você acredita que é importante aprender a língua local?
Tenho esta constante comigo de que o que nos distingue em um país estrangeiro é a nossa capacidade de falar bem o idioma. Não cometer erros graves, ter uma pronúncia adequada e clara, é favorável em todos os sentidos. Profissionalmente, para fazer amigos, o atendimento que você recebe nas lojas, reclamações em serviços prestados etc. É preciso também entender a cultura local e isto só é possível com a convivência com nativos e um tanto de observação.

– O que você pensa sobre seu novo país e o local onde mora (e/ou onde morou)? Eles respeitam os Brasileiros e outros expatriados vivendo nesse país?
A verdade é que é difícil fazer amizade com ingleses, na maioria dos casos. Eles têm as suas próprias piadas (que a gente não entende às vezes), ou falam sobre programas de TV que você nunca assistiu, ou simplesmente têm outros costumes que para nós soam estranhos. É um povo relativamente fechado, mas quando se tornam seus amigos, são amigos de verdade. Um inglês por exemplo, te convida para o aniversário dele com até um mês de antecedência e quando esta data chega, às vezes eu já esqueci… rs Porém, quanto mais tempo você permanece, maior a sua capacidade de interação. Hoje, quase todos os meus amigos são ingleses ou falam inglês como língua nativa (americanos, da Nova Zelândia etc.)

– Sente saudades da família no Brasil? Sente falta de produtos, alimentos e outras peculiaridades?
Alguns dias acordo com uma vontade enorme de comer acarajé! Ou beber água de côco. Mas esta vontade passa quando vejo a praia. Costumava pegar um trem para Brighton (45 minutos de Londres) e ficar de boa. Já não faço mais tanto isso, mas estava sempre lá no começo. Além do mais, a água do mar da Inglaterra é muito fria. ;D

– O que costuma fazer nas horas vagas, finais de semana e feriados? Quais as atividades recreacionais existentes?
Adoro andar de bicileta pelos parques ingleses. Acho incrível como eles possuem áreas verdes tão grandes em uma cidade com Londres. Jogo futebol com os ingleses, o que é engraçado e também bacana. Vou às exposições de arte e shows de bandas inglesas. Na Inglaterra, os museus são geralmente gratuitos para a coleção permanente. Só as exposições temporárias são pagas. E os shows são bem mais em conta do que seriam no Brasil.
Breno na Inglaterra

– Você tem planos para o futuro? Pretende viver nesse país para sempre?
Pretendo passar um tempo no Brasil em breve, talvez um ano. Agora, esqueço palavras em português, e já estou longe da família há bastante tempo. Embora vá ao Brasil todos os anos, sinto falta de aniversário de primo, casamento de amigo de infância, essas coisas. Depois, pretendo voltar, porque realmente adoro morar em Londres.

– Você comprou ou alugou o local que reside? Quanto pagou ou paga por isso? Comprar imoveis é algo comum nesse país?
Imóveis no Reino Unido são caríssimos, ainda mais na capital. Com a recessão, ficou ainda mais difícil financiar. Acredito que é necssário pagar 20% à vista, mas não tenho certeza. Moro de aluguel e este me custa por volta de 500 libras mensais.

– Qual o custo de vida?
Em Londres, o mais caro é o mesmo o aluguel. O transporte público funciona de uma forma diferente. Você compra o chamado Oyster Card e pode carregá-lo para o dia, semana ou mês. Custa uma média de 100 libras mensais, mas você pode andar de trem, metrô, onibus, quantas vezes quiser, 24 por dia. Comer fora é caro. Comer em casa, bem barato. Viajar pela Europa é bem em conta. Tudo depende do seu planejamento e do quanto deseja gastar.

– Quais os pontos positivos e negativos de morar nesse país?
Positivo é a cultura mente aberta. As pessoas se vestem de todos os tipos, fazem o que a sua cabeça manda. Adoro também o valor que eles dão a suas tradições e peculiaridades. Na Inglaterra se dirige na mão contrária, os ônibus têm dois andares, a moeda ainda é a Libra e os prédios antigos são super preservados.
Negativo é o clima. Faz três anos que não há um verão muito quente. Chove sempre.

– Qual a curiosidade que mais te chama a atenção nesse país?
A tradição real e parlamentar entre outras. Há uma série de detalhes históricos que desconhecemos e que eles ainda mantêm. Soam super ultrapassados e tornaram-se mera formalidade, em muitos casos, mas eles ainda os seguem. Geralmente, apenas ingleses são capazes de relatar e descrevê-los em diversas situações. Por exemplo, quando o primeiro ministro é eleito, ele precisa ver a Rainha.
Breno na Inglaterra

– Você tem sugestões ou dicas para pessoas que pretendem viver nesse país?
Depende do objetivo de cada um. Na prática, é bem difícil para a maioria dos estrangeiros se estabelecer, então recomendo estudar na Inglaterra. Abre portas. E não se deixar subestimar porque o inglês não é a sua língua nativa. Estude sempre o idioma.

– Se pudesse descrever em uma palavra a experiência que está vivendo nesse país, qual seria?
Presente. Se você pensa muito no futuro, enlouquece. Viva um dia de cada vez e faça planos sem tanta rigidez. Morar num outro país exige uma certa flexibilidade da sua parte, nem sempre o que você quer é fácil de alcançar.

– Você gostaria de recomendar algum web site ou blog relacionado à esse país?
O meu blog pessoal, onde escrevo pequenos trechos de literatura e ficção com influência das coisas que vivo na Europa: http://brenopessoa.wordpress.com

O site do Visit Britain, que possui informações completas para quem quer visitar o Reino Unido: http://www.visitbritain.com.br/. Vale a pena a leitura!

O site da empresa para qual trabalho, especializada em Intercâmbio: http://www.ef.com.br/, que contém informações sobre algumas opções de estudo na Inglaterra.

3 Respostas

  1. Londres realmente é uma cidade diferente🙂
    A primeira vez que estive na Europa eu só me senti mesmo longe do BR em Londres,pois tudo é bem diferente do que costumamos ver aqui.

    Boa sorte!

  2. adorei suas respostas claras e reais sobre o viver na Inglaterra.. Em 2002 morei 6 meses na Inglaterra, em Oxford, e viajei muito pelo país. Realmente um lugar maravilhoso.
    9 mil libras? wow esta mais barato que aqui onde pago nos Estados Unidos se somar por ano os créditos.Tudo de bom e parabens por sua graduacao no exterior. Estudar em outro país, realmente difere muito em nossas mentes.

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