Australia: um projeto bem sucedido

Wagner na AustraliaComo todo profissional da geração Y, Wagner sempre se sentiu inqueto quando falava de carreira. Sonhava com todas as coisas que queria aprender e fazer como aquela criança que sonha em um dia ser astronauta. Quando começou a trabalhar com TI, aos 17 anos, Wagner passou a entender desde cedo o que eram processos produtivos, políticas de RH, clima organizacional, pois, por sorte oferecida pelo destino, teve seu primeiro estágio em uma grande multinacional. Hoje, vivendo na Austrália como residente permanente, Wagner diz ter atingido um de seus maiores sonhos: o de estabelecer e ver crescer sua carreira fora do Brasil.

– Nome:
Wagner Nunes

– Onde nasceu e cresceu?
Porto Alegre, RS.

– Em que país e cidade você mora?
Sydney, Austrália.
Wagner na Australia

– Você mora sozinho ou com sua familia?
Quando cheguei em Sydney, fiz o que a maioria dos brasileiros faz: contei com o apoio de um grande amigo que dividia apartamento com outros gaúchos, e fui dividir uma shared accommodation com eles por uns tempos, até achar o meu canto. Além de amigos, eles são hoje parte da minha família aqui, sou muito grato a todos eles. Hoje divido apartamento com um deles.

– Há quanto tempo você reside nesse local?
Cheguei em Sydney em setembro de 2008. Moro no local atual desde fevereiro deste ano.

– Já residiu em outro(s) país(es) antes dessa experiencia?
Residir oficialmente, no sentido literal da palavra, não. Mas tive outras experiências de trabalho internacionais de alguns meses na Argentina (Buenos Aires, Rosario e Tancacha) e nos Estados Unidos (Austin, TX).

– Qual sua idade?
28 anos.

– Quando surgiu a idéia de residir no exterior?
Poderia fazer uma lista bem numerosa de fatores que me levaram a tomar essa decisão, mas, de forma resumida e, porque não dizer “agrupada”, os fatores mais importantes foram a vontade de TRABALHAR fora do Brasil e a vontade de VIVER fora do Brasil. Destaco esses dois verbos pois são uma forma simples de agrupar os fatores que usei para tomar essa decisão.
A vontade de trabalhar fora do Brasil já existia desde meu primeiro contato com clientes ou parceiros do exterior, e se fortificou depois da experiência de trabalho que tive nos Estados Unidos. Foi nessa época que comecei a planejar meu “projeto de expatriação”. Infelizmente, a empresa onde trabalhava nessa época tinha uma política de RH que não permitia que funcionários do Brasil fossem simplesmente transferidos para os Estados Unidos. No melhor dos casos, o funcionário poderia receber um “long-term assignment” de até 1 ano e meio. Mas não era isso que eu queria, então comecei a pesquisar outras formas e outros destinos além dos Estados Unidos, como Canadá, Reino Unido e Austrália.
A vontade de viver fora do Brasil acho que é auto-explicativa. Não quero “chover no molhado” nem usar palavras que podem levar os outros a pensar que não amo mais o meu país. Tenho sim uma visão muito crítica das coisas e muitas delas se tornaram simplesmente intoleráveis pra mim no Brasil. Isso resume minha vontade de VIVER fora do Brasil, o que NÃO significa RENEGAR o meu país de forma alguma.

– Foi difícil conseguir o visto de residência ou o visto de trabalho?
No meu caso, foi mais demorado do que difícil. Demorou exatamente 1 ano, 1 mês e 17 dias — relatei o momento em que recebi o tão esperado email de confirmação no meu blog … o texto ficou um pouco bobo, como de quem ganha de forma inesperada um presente caro no Natal, mas acho que deu pra transmitir um pouco da emoção do momento.
Digo “no meu caso” porque a Austrália tem um programa de migração para profissionais com qualificações em demanda chamado General Skilled Migration, e uma das áreas com uma enorme demanda naquela épora era TI. Na verdade, a demanda ainda existe, porém com menor força, em função da crise econômica mundial.

– Você tem seguro saúde? Foi difícil obtê-lo antes ou depois da sua chegada?
Não fiz seguro-saúde antes de vir, pois o visto de residente me dá direito ao sistema de saúde público da Austrália, o Medicare. Foi uma das primeiras coisas que fiz quando cheguei aqui e foi muito fácil e rápido de fazer, acho que levou uns 10 minutos em um posto do Medicare. O cartão chegou por correio uma semana depois e não teve custo nenhum envolvido.

– Você trabalha? Como a renda familiar é obtida?
Sim, trabalho no departamento de TI de um órgão do governo do Estado de New South Wales desde outubro de 2008. Quando cheguei aqui, minha a prioridade número 1 foi encontrar um emprego. No início, como era de se esperar, eu tive um pouco de medo de demorar para encontrar um emprego na área, mesmo com a demanda em alta. Acho esse medo é até normal, pois quando chegamos em um novo país para trabalhar, acredito que a maior expectativa que se cria é a de arranjar um bom emprego na área em que atuamos.
Já no segundo dia de Austrália, reativei todos os contatos que já tinha feito do Brasil e apliquei para mais outras várias vagas de trabalho que se encaixavam no meu perfil. Apliquei até para algumas que não se encaixavam perfeitamente, pois o mais importante era começar a trabalhar logo. Eu havia estabelecido uma meta de 3 meses para arrumar o primeiro emprego na minha área, baseado em relatos que li e ouvi de outros brasileiros que vieram pra cá para trabalhar com TI. Não tinha muita noção se 3 meses era pouco ou muito tempo para se arranjar o primeiro emprego, mas, caso esse período passasse e eu não tivesse arranjado nada, iria tentar pegar algum emprego em algum restaurante ou algo do tipo, qualquer coisa para começar a trabalhar.
Grata surpresa foi a que tive ao começar a ser chamado para várias entrevistas logo na segunda semana. Como mencionei antes, TI realmente estava muito aquecida por aqui, mas mesmo assim, fiquei impressionado com o retorno que tive das aplicações para empregos — a maioria feita através dos sites Seek.com.au e do MyCareer.com.au. Após as entrevistas, é de praxe a agência ou o empregador entrar em contato com o candidato para fazer a job offer (confirmando que você foi escolhido) ou para agradecer o seu tempo e dizer que a vaga já foi preenchida (nesse caso, eles normalmente mandam apenas um singelo email).
Por fim, no meio da terceira semana, parece que aquela quarta-feira foi abençoada: das várias entrevistas que fiz, recebi 3 job offers, e após analisar os prós e contras de cada, tomei minha decisão e retornei o contato às 3 agências no dia seguinte. E cá estou desde então.

– Se a resposta anterior foi sim, você mudou de área depois da saída do Brasil ou continua no mesmo setor?
Não, continuo trabalhando com TI e não pretendo mudar de área. No momento, estou estudando a possibilidade de abrir uma empresa de serviços de TI com um sócio, pois já temos alguns clientes que atendemos informalmente aqui em Sydney e outros projetos que trouxemos do Brasil e que queremos dar um gás maior… o único problema é achar tempo para tudo, pois estou fazendo um mestrado em paralelo a tudo isso.

– Você fala a língua local? Você acredita que é importante aprender a língua local?
Sim e sim. Sem inglês é praticamente impossível trabalhar com TI. Os australianos e outros estrangeiros que trabalham com TI em geral estão acostumados a diversidade de nacionalidades e sotaques, então todos — ou pelo menos a maioria — faz sua parte para se comunicar de forma eficaz, seja falando de forma mais clara (evitando gírias locais) ou prestando mais atenção aos sotaques vindos de outros cantos do mundo. No fim das contas, cada um precisa fazer seu trabalho.

– O que você pensa sobre seu novo país e o local onde mora (e/ou onde morou)? Eles respeitam os Brasileiros e outros expatriados vivendo nesse país?
Este pode ser um tema bastante polêmico, dependendo da perspectiva abordada. Do ponto de vista do brasileiro que vive aqui como residente permanente e tendo um bom emprego, eu diria que a resposta é sim, o australiano nos respeita. Claro que há discriminação, em pouca quantidade, mas há. A discriminação com brasileiros é quase nula se comparada com a discriminação com indianos, asiáticos ou libaneses.
Em relação a trabalho, os australianos não costumam exercer nenhum tipo de discriminação, pois, em geral, entende-se que todo o trabalho é um trabalho digno. Porém, eventualmente pode-se encontrar dificuldades em relação ao tipo de visto que se tem. Há pouco tempo atrás, se falava em um certo tipo de discriminação com brasileiros que tentavam alugar imóveis em uma praia ao norte de Sydney, pois, em muitos casos, o inquilino alugava um apartamento de 2 quartos dizendo que iria morar com apenas 1 pessoa, mas na prática, o sujeito nem ia morar no imóvel, que seria usado como shared accommodation para 6 a 10 pessoas — algo que nenhum proprietário quer para seu imóvel.
Wagner na Australia

– Você tem filhos? Se sim, eles se adaptaram ao novo país? Estudam e têm amigos locais?
Não tenho filhos, mas tenho amigos que vieram com filhos em idade escolar e já se adaptaram muito bem ao idioma e cultura local. Não tenho experiência nesse assunto, mas aparentemente, quanto mais novas são as crianças ao chegar aqui, mais facilidade terão ao se adaptar — o que me parece bem óbvio.

– Sente saudades da familia no Brasil? Sente falta de produtos, alimentos e outras peculiaridades?
Claro! Sinto muita saudade da família e dos amigos, não tem como não sentir. Mas com a ajuda do Skype de de uma webcam, a gente consegue ir levando…
Quando tu planejas e executas uma mudança tão grande na tua vida, tu precisas estar preparado para reconstruir sua rede social, tanto profissional quanto pessoal. Tive muita sorte de fazer grandes amigos por aqui, a maioria brasileiros que também planejam ficar por aqui. Por outro lado, é triste ver os amigos que fizemos tendo que voltar pro Brasil — por questões de visto, grana, família ou trabalho — depois de passar tanta coisa junto com a gente por aqui.

– O que costuma fazer nas horas vagas, finais de semana e feriados? Quais as atividades recreacionais existentes?
Na medida do possível, tento fazer as mesmas coisas que fazia no Brasil, e mais algumas coisas novas que só temos aqui. Jogo futebol 2 vezes por semana, de vez em quando corro em algum dos milhares de parques que temos em Sydney, vou ao cinema e nos finais de semana sempre tem um churrasco (no estilo gaúcho, obviamente, nada de carne grelhada no fogo a gás) acontecendo em algum lugar… Vou a mais happy hours aqui, pois o happy hour no pub é uma tradição na Austrália. Às vezes tento assitir o rugby na TV, mas confesso que ainda não entendo nada🙂
Como muitos brasileiros vivem em Sydney, não foi difícil encontrar um pessoal pra jogar uma pelada nos finais de semana… Quanto ao churrasco, por incrível que pareça, é bem fácil achar carne com cortes parecidos com os nossos (até picanha tem pra vender em alguns bairros por aqui… e o nome da peça é… picanha mesmo!) e o preço é bem acessível. Se acha de tudo: costela bovina, ovelha, costela de porto, coração de galinha, enfim, tudo que um bom churrasco precisa ter… Até a farofa da Yoki! Sem falar em goiabada e Guaraná Antarctica… O carvão preto que usamos no RS é que não é tão fácil de encontrar… Então usamos lenha ou o carvão de auto-combustão que é vendido nos supermercados (e é caro). Erva mate para o chimarrão também não é difícil de encontrar por aqui.

– Você tem planos para o futuro? Pretende viver nesse país para sempre?
Difícil essa hein… Eu acredito que nenhuma meta de longo prazo é fixa e intocável. Sempre acabamos fazendo pequenos (ou grandes) ajustes ao longo do caminho… Mas voltando a pergunta, minha resposta no dia de hoje é sim, pretendo ficar morando por aqui por tempo indeterminado.
Meus planos para o futuro aqui são continuar investindo na minha carreira, talvez fazer o PhD depois que acabar o mestrado, começar pensar em formar uma família (é, a idade tá chegando) e talvez comprar minha casinha por aqui… Pretendo morar em Brisbane algum dia, gosto muito de lá. Mas para isso acontecer, outros vários fatores precisam estar alinhados, e isso ainda é papo pra daqui a alguns anos.
Sobre planos de voltar para o Brasil… No momento, apenas de férias para rever família e amigos. Mas, como dizem, o futuro a Deus pertence… Talvez uma boa oportunidade de trabalho me fizesse voltar… Realmente não tem resposta precisa pra essa pergunta.

– Você comprou ou alugou o local que reside? Quanto pagou ou paga por isso? Comprar imoveis é algo comum nesse país?
Logo que cheguei, morei por 2 meses em shared accommodation em um ótimo bairro (Pyrmont) pertinho do centro de Sydney.
Em geral, num bairro bom, bem localizado, perto do centro da cidade e com várias opções de transporte, se paga AU$ 150,00 por semana para dividir um quarto com mais 2 ou 3 pessoas. Esse preço é mais ou menos o padrão para shared accommodation em bairros ao redor da City como Pyrmont, Ultimo e Surry Hills.
De novembro até o fim de janeiro, dividi um apartamento com uma flatmate turca em Pyrmont. Fizemos o contrato de aluguel juntos e o valor era AU$ 500,00 por semana ($250 p/ cada) e cada um tinha seu quarto e seu banheiro. O apê era bem espaçoso, tinha uma ótima sacada e uma vaga na garagem. Com esse valor é possível alugar um apartamento decente, mas é preciso procurar bastante.
Depois, um amigo brasileiro que também optou por sair da shared accommodation e queria um quarto só pra ele topou procurar um outro apê comigo para dividir, pois a convivência com a turca não deu muito certo. Encontramos um ótimo apartamento de térreo em Alexandria, que fica a 10 minutos a pé de onde eu trabalho, e a 15 da estação de Redfern, pelos mesmos AU$ 500/semana, com a grande vantagem de ter um pátio só nosso, onde fim-de-semana-sim-e-o-outro-também fazemos uma churrascada.
O mercado de compra e venda de imóveis tem estado bastante instável desde o início da crise. Mesmo assim, com a ajuda de AU$ 24.000,00 que o governo passou a dar para quem compra sua primeira casa própria — numa tentativa de driblar um pouco da crise — muita gente continuou comprando. O que vemos agora é uma leve queda nos valores de venda, o que deve continuar acontecendo durante o ano. Mesmo assim, o valor de um imóvel usado é fora da realidade para o que nós, brasileiros, estamos acostumados a ver. Por exemplo, um apartamento decente de 1 quarto, em um bairro razoável, não sai por menos de AU$ 300.000,00. Apartamentos de 2 quartos começam em AU$ 380.000,00. Não é a toa que a industria do mortgage aqui é tão agressiva.

– Qual o custo de vida?
Fazendo um cálculo mensal bem grosseiro, considerando uma família de 4 pessoas:
– Aluguel = $2000 (imóvel para 4 pessoas, $500 por semana)
– Supermercado = $800 (alimentação para 4 pessoas, $200 por semana)
– Transporte = $320 (para os pais, $80 por semana)
– Celular = $120 (para os pais, $60 por mes por pessoa)
– Internet = $50 (por mês)
– Telefone = $50 (por mês)
– Luz/gas = $150 ($450 por trimestre)
Total: ~ $3.460,00 por mês ou $865 por semana.

Como eu disse, é um cálculo bem grosseiro, pois não tenho muita noção do quanto um casal de crianças consome em fast food, brinquedos e outras coisas mais…

– Quais os pontos positivos e negativos de morar nesse país?
Positivos:
– poder caminhar pelas ruas ou correr em um parque, seja a hora que for, sem medo da violência
– poder sair pra balada ou pro pub sabendo que não vai voltar fedendo a cigarro no fim da noite (é proibido fumar em locais fechados)
– poder usar as ciclovias ou andar nas ruas de bicicleta e ser respeitado como um veículo normal
– baixo uso da buzina no trânsito
– preço dos carros é muito bom
– estar a 30 minutos das praias do norte e a 6 horas da neve
– estar a 15 minutos da Darling Harbour, Opera House e Botanic Gardens
– poder voar para Queensland por $140, ida e volta
– estar pertinho de Fiji, Bali, Tailândia e Indonésia
– pagar impostos sabendo que os serviços públicos funcionam
– pagar pedágio e andar em boas estradas
– ter várias opções de comidas perto de casa
– fish and chips🙂
– váaaaaaarias marcas e tipos de cerveja
– poder ficar tranquilo com o laptop aberto ou o ipod na mão sentado no trem ou no ônibus
– andar em ruas e calçadas limpas
– poder contar com o transporte público
– poder usar o trem e evitar o trânsito na hora do rush
– ritmo de trabalho “relaxed”, no estilo “no worries”🙂

Negativos:
– impossível comer em um restaurante bom após as 21h
– impossível sair pra fazer comprar ou pra passear num shopping depois do trabalho (lojas fecham as 17h)
– não ter trens para as praias do norte
– estacionamento é caríssimo
– difícil encontrar estacionamento não-pago na rua
– preço das bebidas nas baladas boas é um absurdo de caro
– preço dos imóveis é irreal (para compra)
– preguiça dos australianos no trabalho (se tu dependes de algum pra fazer o teu trabalho, boa sorte, meu amigo)
– pizza boa é raridade (pizza hut e dominos é um lixo)
– não tem nescau
– legumes e frutas são caros
– carne vermelha é cara no supermercado (a dica é comprar nos açougues asiáticos)
– não é permitido beber na praia (seria isso um ponto negativo?)
Wagner na Australia

– Qual a curiosidade que mais te chama a atenção nesse país?
Ahh tem várias… Mas uma das que mais me irrita é o fato do comércio em geral fechar às 5 da tarde… Não entendo qual o benefício ou vantagem nisso… No Brasil, alguns shopping centers ficam abertos até a meia-noite, os cinemas tem sessões que começam as 23h e os fast-foods ficam abertos 24 horas. Aqui, em geral, o comércio só fica aberto até mais tarde nas quintas-feiras, e não são todas as lojas… E mesmo assim, é só até as 21h.
Outra coisa que atrapalha quem gosta de sair pra jantar é o horário das cozinhas. A maioria dos restaurantes fecha a cozinha às 21h. Aí nós, que estamos acostumados a sair pra jantar nesse horário no Brasil, temos que acabar comendo pizza ou kebab… ou então tendo que cozinhar em casa mesmo.

– O país que você reside tem alguma coisa que é usado no dia a dia que você acha que seria interessante ser implementado no Brasil?
Aqui a gente brinca que Sydney é uma mistura de Rio com São Paulo que deu certo.
Ao ler a pergunta, a primeira coisa que me veio a cabeça foi o sistema de transporte. Tudo bem que São Paulo e Rio tem metrô, mas não sei o quão eficientes são… Em Porto Alegre isso é uma vergonha. O Trensurb liga o Centro da cidade à Grande Porto Alegre… e o resto da cidade? Há pouco tempo se começou a falar em metrô, mas só por causa da Copa do Mundo.
Outra coisa que lembrei foi a questão do cigarro em locais fechados. Não entendo qual a dificuldade em entender que isso é um grande benefício pra todo mundo (exceto para as casas noturnas, obviamente, que teriam que se adaptar e disponibilizar uma área aberta)… Infelizmente, como todos sabemos, no Brasil, o bem coletivo não é importante… O que importa é quanto se ganha ou se perde com isso.
Outra coisa que já deveria ter sido implementada no Brasil há anos é o ensino obrigatório do inglês desde o primeiro ano de escola. Sem frescura, disciplina obrigatória e fim de papo. E no ensino superior também, inglês e pelo menos mais um idioma, independente se o curso é de Humanas ou Exatas. Com isso teríamos profissionais muito mais preparados hoje em dia e com uma empregabilidade muito mais respeitável. Ou por que vocês acham que a maioria dos indianos que estão aqui ou nos Estados Unidos estão trabalhando e competindo com os locais, ao invés de estarem estudando inglês?

– Você tem sugestões ou dicas para pessoas que pretendem viver nesse país?
Existem muitos brasileiros vivendo na Austrália hoje. Muitos querem ficar por aqui permanentemente, mas precisam viver no sob o visto de estudante, o que, na maioria das vezes, dificulta o re-ingresso na área de atuação, pois as empresas raramente aceitam funcionários part-time e o sponsorship está cada vez mais difícil. Então a dica que dou é, se tu realmente queres migrar para a Austrália permanentemente, pesquise as opções de visto antes de vir pra cá. Não caia na armadilha do “primeiro eu vou como estudante e depois eu vejo o que faço”. Já vi muitos brasileiros chegarem aqui com esse “plano” e acabar voltando para o Brasil frustrados por não conseguir emprego full-time na área de atuação e por não aguentarem muito tempo lavando louça ou limpando escritórios de madrugada.
Não é novidade pra ninguém que estudante não pode trabalhar mais de 20 horas por semana. E também não é novidade que sponsorship não cai do céu. Portanto, dedique tempo para pensar no seu real objetivo na Austrália. Se for apenas para estudar e melhorar o inglês, ótimo, existem vários caminhos. Porém se o foco é a imigração definitiva, é necessário pesquisar ou procurar ajuda especializada de algum agente de imigração para tentar ver se há algum visto que se encaixe no que tu precisas. Neste caso, o ponto de partida que eu indicaria é o site do Departamento de Imigração que é a fonte oficial de informações sobre vistos. Comece dando uma olhada na lista de profissões em demanda. Se sua profissão estiver lá, o primeiro passo já está dado.

– Se pudesse descrever em uma palavra a experiencia que esta vivendo nesse país, qual seria?
Sonho.

– Você gostaria de recomendar algum web site ou blog relacionado à esse país?
Convido aos que se interessarem a visitar o meu blog sobre o meu processo de imigração e sobre a vida na Austrália: http://blog.wagnernunes.com.

3 Respostas

  1. Legal tua entrevista. Bem realista e informativa. É ótimo saber que tem mais gente nova saindo do Brasil e conquistando o que mereçe.. Já tinha dado um pulo no teu blog pq me interesso pela Australia, mas depois de 4 anos, o Canadá já é minha casa.
    Bjs

  2. Grande Wagner! Pelo visto a vida ta sempre boa por ai… isso ae, parabens meu velho! Saudades dos tempos da PUCRS! eheheh… abraçao.

  3. Não mudaria uma vírgula das respostas. É exatamente isso! Abraços!!!

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