Jeitinho Thai

Rodrigo na TailandiaImagina começar a procurar emprego para uma possível realocação para São Paulo e seu entrevistador, vendo seu potencial e seu domínio no inglês diz: “Eu tenho trabalho para você, mas é em Bangkok, você aceita?“. Foi exatamente essa inesperada proposta que levou o Rodrigo e a Manu a Tailandia.
Hoje eles estão há 2 anos e meio no país, Manu atuando na industria de calçados e Rodrigo trabalhando como cameraman freelancer… juntos eles estão descobrindo e adorando o jeitinho Thai de viver…

– Nome:
Rodrigo “Cosmo” Olivieri

– Onde nasceu e cresceu?
Nasci em São Carlos – Sp. Cresci em Porto Alegre, São Carlos e São Paulo.

– Em que país e cidade você mora?
Moro em Bangkok, Tailândia.
Rodrigo na Tailandia

– Você mora sozinho ou com sua família?
Com minha esposa, Manu

– Há quanto tempo você reside nesse local?
2 anos e meio

– Já residiu em outro(s) país(es) antes dessa experiência?
Primeira vez que moro em outro país

– Qual sua idade?
30

– Quando surgiu a idéia de residir no exterior?
O que me incentivou foi o amor. A Manu, minha esposa, é estilista de calçados e estava trabalhando no SENAI de Jaú, e eu estava morando em São Paulo. Nós decidimos que seria melhor ela arrumar trabalho em SP, pois não tinha trabaho p/ mim em Jaú. Na primeira entrevista de emprego que ela fez, o entrevistador disse, “OK, você fala inglês? Eu tenho trabalho para você, mas é em Bangkok, Tailândia, você aceita?
Ficamos uma semana estudando a prosposta e a aceitamos.

– Foi difícil conseguir o visto de residência ou o visto de trabalho?
Como a Manu já veio com trabalho garantido, a empresa que ela trabalha fez toda a papelada p/ gente.

– Você tem seguro saúde? Foi difícil obtê-lo antes ou depois da sua chegada?
Temos, faz parte do contrato.

– Você trabalha? Como a renda familiar é obtida?
É meio díficil trabalhar aqui se vocIe não vem com trabalho garantido. Um ocidental não pode ser graçom, verdendor de loja, etc. Os ocidentais só podem trabalhar aqui se não houver um tailandes (thai) qualificado para o cargo. Então a grande maioria dos ocidentais são gerentes, diretores, administradores; só cargos bem especializados.
Eu trabalho com produção de vídeo, sou cameraman free-lancer. Para mim foi díficil porque eu vim sem nenhum contato. Então todo o meu currículo e meus trabalhos feitos no Brasil aqui não valem muita coisa. E olha que tenho um currículo muito bom. Mas foi a mesma coisa quando terminei a faculdade de Rádio e TV. Neste ramo, principalmente se você é free-lancer, se você não tiver alguém que te indique em alguma produtora vai ser bem díficil conseguir trabalho. Pode até fazer umas entrevista nas produtoras, mas elas não vão te chamar se não conhecem o seu trabalho.
Aqui tive que começar a fazer minha carreira tudo de novo, do nada. Fiz um monte de entrevistas, mas poucas deram bons resultados, então resolvi fazer um curso de cimena digital de um ano de duração. O legal desse curso é que é uma escola internacional, o nome da escola é SAE, então agora tenho um diploma internacional de cimena digital e posso fazer uma especialização em cimenatografia digital em qualquer país que tenha um Campus da SAE, e tem em todos os continentes.
Hoje tenho uma boa network, conheci vários diretores e pessoas do ramo.
Rodrigo na Tailandia

– Se a resposta anterior foi sim, você mudou de área depois da saída do Brasil ou continua no mesmo setor?
Continuo no mesmo setor

– Você fala a língua local? Você acredita que é importante aprender a língua local?
Falo muito pouco de tailandes. Na verdade se você não quiser, não precisa aprender a língua. Só com inglês já dá para se virar legal. O problema é que o tailandes é uma língua baseada no som e eles tem cinco tons diferentes para cada sílaba. Para se ter uma idéia são mais de 20 vogais, é uma língua bem complicada.
É lógico que se você falar tailandes, as coisas ficam mais fáceis, mas se você não quizer não precisa, nós conhecemos gente que vive aqui há 10 anos e não sabe falar bom dia em Thai. Nós estamos pensando em ter aulas de tailandes, porque não dá para aprender de “ouvido”. E como os Thais são super educados e preocupados com os estrangeiros, toda vez que encontro com meus amigos (tailandeses), se eles estiverem conversando em thai, eles param, me explicam o que estavam conversando e mudam para o inglês.
Nós conhecemos pessoas aqui que são tailandeses, mas não sabem falar a língua local, ou esqueceram-se como escrever em tailandes. Sabe como é; um estrangeiro casa com uma tailandesa, quando os filhos nascem vão para escolas inernacionais, onde todas as aulas são em inglês, falam inglês em casa, com os amigos. A língua local é muito antiga, parece um pouco um linguagem tribal, é uma estrutura muito simples, então eles dizem que preferem o inglês porque conseguem expressar melhor os sentimentos, ou quando no trabalho e tem que usar um linguajar técnico.

– O que você pensa sobre seu novo país e o local onde mora (e/ou onde morou)? Eles respeitam os Brasileiros e outros expatriados vivendo nesse país?
Eu adoro morar aqui. Eles respeitam todos aqui, pelo menos superficialmente. Os thais dizem que os estrangeiros são como um convidado aqui, então eles tem que tratar bem, mesmo que eles não gostem de você. O jeito de ser do tailandes é muito educado, quieto, e de não confrontamento, então você nunca sabe direito se quando eles te tratam bem, se é algo sincero. Você tem que aprender a ler a linguagem corporal tailandesa.
Mas tenho ótimos amigos thais, que sempre me ajudam quando preciso. É muito bom morar aqui. Quanto a ser brasileiro aqui; eles adoram o Brasil. Toda vez que você diz que é brasileiro, os thais abrem um sorriso e a situação muda. Já aconteceu várias vezes de estar um lugar e começar a conversar com um thai, conversa normal, até eles pergutarem da onde a gente é, depois de responder, Brasil, e eles dizem, “achava que vc era um americano arrogante ou um europeu metido, brasil é bem legal, amo o brasil e os brasileiros”.
O problema é que eles sempre perguntam sobre futebol. Uma vez na praia aqui na Tailandia, um verdendor de sorvete peguntou da onde a gente era, repondemos Brasil, e o sorveteiro, “mas branco assim?!!”.
O bom aqui é que não tem a violencia de Sampa. O que pode acontecer é que se você estiver em lugar com muitos turistas e não tomar cuidado com sua bolsa, alguém pode pega-la sem que você perceba, mas isso nunca aconteceu com a gente, só ouvimos histórias. Mas nunca vai acontecer de alguém te parar na rua com uma arma e te assaltar. Os brasileiros, principalmente de grandes centros urbanos, vão achar aqui muito seguro.

– Você tem filhos? Se sim, eles se adaptaram ao novo país? Estudam e têm amigos locais?
Não

– Sente saudades da família no Brasil? Sente falta de produtos, alimentos e outras peculiaridades?
Lógico que sentimos saudades da familia, amigos e dos meus cachorros, mas ao mesmo tempo é muito bom aqui, eles não são frios, ou fechados e nem arrogantes, o que faz a vida bem fácil e tranquila. Mas quando vamos para o Brasil, normalmente trazemos várias coisas como palmito, farinha de mandioca, etc, então não sentimos tanta falta dos produtos “brasileiros”. E quando dá vontade de comida brasileira, nós cozinhamos em casa, fazemos tudo; de muqueca de peixe à churrasco.
Frutos do mar é muito barato aqui, a cozinha local é muito boa e barata também. Uma coisa que não sentimos falta é da Globo, pricipalmente quando assistimos à Formula 1 sem o Galvão como narrador. Mas hoje com a globalização, você vai a qualquer lugar e são todos os mesmos produtos e marcas. O engraçado é que em Bangkok tem um açougue, que já teve um brasileiro como gerente, então dá para você ir lá e pedir por “Picanha”.

– O que costuma fazer nas horas vagas, finais de semana e feriados? Quais as atividades recreacionais existentes?
No começo a gente saía bastante, mas agora demos uma acalmada. Aqui em Bangkok tem de tudo, muitos bares, boates, cinema, museus, os templos. A Tailandia está no ano 2552, outro dia fomos à uma cidade histórica que tem uns mil anos de idade, com várias ruínas, tudo muito bonito. O legal é que o país nunca foi colonia, então eles tem 2552 anos de autenticidade.
Rodrigo na Tailandia
As praias são maravilhosas, com centros comerciais históricos com arquitetura portuguesas. Os portugueses chegaram aqui antes de chegarem no Brasil. Mas o maior problema aqui para os brasileiros, é cerveja gelada, muito díficil de encontrar. Os thais colocam gelo na cerveja.
O legal é que aqui você encontra gente do mundo inteiro, hoje tenho amigos da Indonésia, ingleses, búlgaros, japoneses, austriácos, africanos, etc. O que faz você pensar por exemplo que a maioria dos conflitos do mundo hoje tem solução, porque aqui tem gente de todos os lugares e religiões e todos vivem em harmonia.
Rodrigo na Tailandia

– Você tem planos para o futuro? Pretende viver nesse país para sempre?
Não temos planos de voltar para o Brasil tão logo, pelo menos não antes da Copa do Mundo no Brasil, porque se quando o Papa Bento 16, visitou o Brasil, o país ficou um caos, com a Copa do Mundo vai ser bem pior.

– Você comprou ou alugou o local que reside? Quanto pagou ou paga por isso? Comprar imóveis é algo comum nesse país?
Nós moramos em um apartamento alugado. Bem espaçoso e completo, com todos os móveis e eletronicos/eletrodoméstios. É um prédio com piscina, academia e sauna. O preço é algo em torno de 1500 reais, o que é caro p/ os tailandeses, mas como disse antes, os ocidentais que moram aqui todos tem cargos muito altos.
É a mesma coisa quando um estrangeiro recebe uma proposta de trabalho do Brasil, ou a empresa na qual ele trabalha transfere ele ir para o Brasil. A empresa vai pagar todas as contas, diferentemente de quando você vai para outro país fazer intercambio por exemplo.
Os ocidentais não podem comprar casas aqui, só apartamentos. Porque quando você compra uma casa você está comprando terra, uma coisa que não podemos fazer aqui.

– Qual o custo de vida?
O custo de vida aqui é bem barato, inclusive para os thais. Por exemplo, o custo de 1 minuto de ligação de celular é 1 Bath, o que é 15 centavos de real, transporte publico, de R$ 0,50 a 2 reais. Uma familia de 4 pessoas que vive em São Paulo com renda de 2000 reais/mês viveria com um padrão de vida mais elevado aqui do que no Brasil.

– Quais os pontos positivos e negativos de morar nesse país?
Aqui você não fica estressado, eles tem uma filosofia de vida que vem do budismo, que sempre evita confrontos, para tudo eles dizem algo que traduzindo para o portugues seria algo como “não tem problema” e “não esquenta a cabeça”. Esses são os pontos positivos e negativos, porque mesmo quando eles estão atrasados, ou com problemas eles vão dizer isso.

– Qual a curiosidade que mais te chama a atenção nesse país?
O respeito e o cuidado que os thais tem com todos, com os mais velhos e com as crianças e principalmente com os monges e com a familia real. Aqui em Bangkok, nos metros, nos centros comerciais, nos parques, todos os dias de manhã e no final da tarde toca o hino tailandes, todos param e prestam seu respeito ao budismo e à familia real. Aqui cada dia da semana tem uma cor, segunda feira por exemplo a cor do dia é amarelo, e como o rei nasceu numa segunda, todos thais usam uma camisa amarela com o símbolo do reino.
A Manu me conta que no lugar que ela trabalha, na hora do almoço só a pessoa mais velha senta na mesa, são os mais novos que servem e depois lavam a louça, porque essa pessoa mais velha já fez isso quando era nova, e as novas quando forem mais velhas, os mais novos vão fazer o mesmo por elas. Se você acordar cedo, por volta das 7 da manhã e sair na rua, vai ver os monges recebendo doações do povo. Todos os rituais aqui são muito bonitos. Só estando aqui para saber.
Rodrigo na Tailandia

– O país que você reside tem alguma coisa que é usado no dia a dia que você acha que seria interessante ser implementado no Brasil? Conte-nos…
Eles tem aqui o metro, um aerotrem, em ambos vocIe paga a passagem proporcional à distância que vai percorrer. Aqui em Bangkok o transito é bem congestionado, então tem umas vias expressas elevadas que dá para ir para qualquer lugar da cidade, mas essas vias são cobrados pedágios. Os preços dos pedágios não são caros como os praticados no Brasil. Acho que isso seria uma boa para cidades como São Paulo, mas com preços acessiveis à todos.

– Você tem sugestões ou dicas para pessoas que pretendem viver nesse país?
A sugestão é de relaxar e acalmar o seu ritmo de vida. Tudo aqui tem seu tempo de acontecer, que é muito mais lento que no Brasil. No Brasil você tem que matar um leão por dia e tomar cuidado pra teus colegas de trabalho não puxar teu tapete. Aqui esse ponto é muito mais tranquilo e a vida mais sossegada, menos pressão. Mas é bem fácil adaptar-se para morar aqui.

– Se pudesse descrever em uma palavra a experiência que esta vivendo nesse país, qual seria?
Maravilhosa!

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16 Respostas

  1. “No Brasil você tem que matar um leão por dia e tomar cuidado pra teus colegas de trabalho não puxar teu tapete”

    Engraçado, mas minha lembrança de SP é mais ou menos parecida. Principalmente essa parte de “matar um leao por dia”. Felizmente hoje é uma lembrança 🙂

    Belo texto e fotos! Muito bacana a experiência de vocês!

  2. Ótima entrevista Rodrigo. Dá vontade de ir conhecer a Tailandia… Felicidaes ai para Vc e a Manu. A minmha manu está transbordando de felicidade com a Lys. Desnecessário dizer que nós também. Grande abraço. Ebert

  3. Olá Rodrigo,
    Gostei muito da entrevista. Confesso que fiquei emocionado. Ao ver que você citou os cachorros, eu realmente senti um aperto no peito, por causa do ocorrido ontem. Como você já sabe, a Luva teve um infarto e morreu. Mas não há de ser nada. A vida continua.
    Gostei muito de como você descreveu as situações, com muita precisão, sem rodeios e de forma muito positiva. É isso aí meu filho, pau na jaqueira e bola prá frente.
    Um grande abraço do seu pai para você e para a Manu.
    Carlão

  4. Parabens, Rodrigo!
    Uma otima visão de “outro mundo eh possivel”.
    Grande abraço pra voces aqui de Porto Alegre!

  5. Perfeita entrevista. Gerou respostas com conteúdo. Rodrigo e Manu são filhos de amigos, quase sobrinhos. Admirados por todos por ir longe buscar trabalho, paz e novos relacionamentos. beijos a eles.
    Comprido

  6. Grande Rodrigão e Manu
    Experiência de voces bastante interessante. Longe do Brasil aumenta a capacidade de crítica sobre nós mesmos. Sempre vale viver outras situações.
    Continuem curtindo.
    Puta abraço proceis. Valeu!
    Zé Francisco

  7. Fico muito feliz por vcs Rodriguinho, de verdade que vcs merecem essa Experiência de Vida Maravilhosa!
    Muita Sorte em Tudo
    Entrevista Maravilhosa
    Dryka Giron

  8. show de bola 🙂
    Esperamos poder visita-los um dia e conhecer um pouco mais do outro lado do mundo!
    Grande abraço, Wlad e Lu.

  9. Rodrigo,
    Muito boa sua entrevista!
    Parabéns pela precisão, pode mudar de lado da câmera.
    Um abraço,
    Nil

  10. Nossa Rodriguinho que bacana!!! Fico feliz em saber que tá curtindo muito esse momento!!!
    Aproveite ainda mais!!!!
    Bjão p/ Manu e bjão p/ vc !!!!

    Se cuida!!!

  11. Wow! Que delicia poder conhecer um pouco mais sobre a Tailandia.. Tenho amigos que já moraram por aí e adoram.. qq dia dou uma passada no outro lado do mundo! Beijos

  12. Rodrigo, boa noite.
    acabo de ler sua entrevista, e percebi que ela ressalta seu lado positivo, um lado maravilhosamente seu.
    Como vc mesmo disse, foi o amor que te levou praí, então continue carregando contigo esse sentimento e o transmita a todos.
    abraços pra vc epra Manu.

  13. Rodrigo,fiquei tão feliz ao ler sua entrevista q não resiti a vontade de lhe dizer o quanto gostamos de vc e da nossa admiração,não só por vc mas pela Manu também.
    Um grande abraço,parabéns pela entrevista maravilhosa,o nosso carinho a vc e a Manu.
    Nilda

  14. Olá, Rodrigo. Estou indo para Puket, Bangkok e Chiang Mai em agosto. Conhece algum brasileiro que esteja morando por algum destes lugares para me dar algumas dicas? Abraço.

  15. ola Rodrigo, adorei a sua entrevista realmente a thailandia e assim mesmo parabens.
    Estou morando em bkk , e gostaria de saber onde o gerente brasileiro trabalha, quero ir ate la pedir uma picanha rsss. aguardo

  16. De algum tempo para cá, interessei-me muito por esse país. Parece ser um lugar muito bonito e agradável de se viver. Mantenho contato com umas pessoas da Tailândia através do skype. Converso com eles em inglês e tem alguns que até se dispuseram a me ensinar thai, mas é muito difícil. Os tailandeses parecem ser um povo muito educado. Espero também conseguir uma proposta dessas de trabalho……Abraço a todos.

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