Moin, Moin!

Aline na AlemanhaA ideia de viver no exterior chegou antes do esperado para Aline. Uma amiga a convidou para participar do programa “au-pair” na Alemanha durante o período em que cursava letras no Brasil, ela não exitou, arrumou as malas e embarcou nessa “aventura” em 2000. Nesse periodo ela conheceu Mirko, seu marido, e desde entao ela vive em Hamburgo.
Conheça mais de sua historia e de suas críticas (positivas e negativas) sobre a Alemanha…

– Nome:
Aline

– Onde nasceu e cresceu?
Nasci em Presidente Prudente, interior de São Paulo.

– Em que país e cidade você mora?
Moro em Hamburgo, norte da Alemanha.

– Você mora sozinho ou com sua família?
Moro com meu esposo, Mirko.

– Há quanto tempo você reside nesse local?
Cheguei à Alemanha em Agosto de 2000.

– Já residiu em outro(s) país(es) antes dessa experiência?
Não, nunca tinha saído do país.

– Qual sua idade?
Tenho 29 anos.

– Quando surgiu a idéia de residir no exterior?
Eu estudava Letras e tinha como língua estrangeira alemão (que já tinha aprendido antes de entrar na faculdade), como quase todos os outros estudantes da minha classe eu pretendia vir para a Alemanha depois dos estudos para aperfeiçoar os meus conhecimentos na língua. Eu ainda estava no meu terceiro ano quando uma amiga minha que estava indo para a Alemanha como Au-Pair, me perguntou se eu não queria ir com ela, pois ela tinha um pouco de medo de ir sozinha. Tranquei os estudos por um ano e embarquei para a Alemanha.
Um detalhe curioso é que essa minha amiga que não queria vir sozinha acabou voltando depois de quatro meses (a saudade foi mais forte). Quem acabou sozinha fui eu.
Mais tarde conheci o Mirko através da minha “família alemã” com quem acabei me casando um ano depois.
Aline na Alemanha

– Foi difícil conseguir o visto de residência ou o visto de trabalho?
Não, não foi difícil, já que como estudante de alemão eu tinha um motivo relevante para vir para a Alemanha e aperfeiçoar meus conhecimentos.

– Você tem seguro saúde? Foi difícil obtê-lo antes ou depois da sua chegada?
Sim, tenho. Se não me engano é impossível conseguir um visto sem um seguro de saúde. Só se você provar que tem muuuuito dinheiro, o que será uma garantia para o governo alemão de que você arcará com suas despesas no caso de um acidente ou emergência.
Além disso, na Alemanha todos os que estão aqui legalmente, tem que ser assegurados. Pode-se optar pelo seguro privado (onde o atendimento e a consulta são precisos e rápidos) ou pelo seguro estatal (não público!) que é fomentado pelo governo, ou seja, o governo paga parte do seu seguro, mas você tem que pagar uma mensalidade, que varia de seguradora para seguradora. Essas seguradoras ganham muito pouco com esse tipo de cliente e como consequência a qualidade do atendimento e a cobertura de benefícios sofrem com isso. Hoje em dia é comum que um assegurado estatal tenha que esperar três semanas por uma consulta.
Como já deve ter ficado claro, os ilegais não tem nenhum acesso ou direito ao atendimento médico! Algumas pessoas têm a sorte de receber ajuda da Amnesty International e outras organizações filantrópicas, que conhecem médicos que aceitam atender essas pessoas de graça. Essa é uma situação muito crítica, pois esses médicos podem ser processados por estarem ajudando uma pessoa que está no país em situação irregular.

– Você trabalha? Como a renda familiar é obtida?
Sim estudo e trabalho. Trabalho para uma firma que organiza visitas à museus com acompanhamento pedagógico há três anos. Como sou estudante não posso trabalhar em período integral, no máximo 18 horas semanais durante o o período de aulas e algumas horas a mais durante as férias. Como se é pago por hora na Alemanha (há excessões), acabo não ganhando muito.
Algo imprecindível para se conseguir um emprego é a fluência na língua. Em quase todos os anúncios o primeiro quesito é: domínio da língua na fala e na escrita. Às vezes, até se exige que a língua materna seja a alemã. Esse é um método velado de se dizer: “Não queremos estrangeiros!” Tem muito do “boa aparência” no Brasil.

Se a resposta anterior foi sim, você mudou de área depois da saída do Brasil ou continua no mesmo setor?
Sim e não. Continuo estudando como no Brasil, mas mudei de área já que não pretendia voltar para o Brasil e já não fazia sentido continuar estudando germanística aqui. Hoje estudo Pedagogia, Espanhol e Português.

– Você fala a língua local? Você acredita que é importante aprender a língua local?
I-M-P-O-R-T-A-N-T-Í-S-S-I-M-O! Na minha opinião não se deve ir a país nenhum (com intenção de imigrar) sem se falar a língua local. Há algumas excessões como a Finlândia por exemplo, mas na Alemanha não é assim. Há pessoas que falam inglês, mas eles não são a maioria. Em cidades grandes você encontrará com certeza um número maior de falantes de inglês, mas for para um povoado as dificuldades serão maiores. Vai depender do meio em que você vai viver.
Sem a língua será impossível se adaptar à Alemanha, até porque a língua de um país, como herança cultural, diz muito sobre ele, e ajuda a entender a mentalidade de seu povo.
Os alemães geralmente são muito prestativos e ajudam quando se tem dificuldades com a língua, mas também costumam cobrar com o passar do tempo se percebem que não há progresso no aprendizado. A ajuda pode tornar-se um transtorno se a cada três palavras vier uma correção.

– O que você pensa sobre seu novo país e o local onde mora (e/ou onde morou)? Eles respeitam os Brasileiros e outros expatriados vivendo nesse país?
Quando cheguei a Alemanha era muito ingênua. Tinha uma visão totalmente romântica daqui. Agora depois de nove anos me tornei mais crítica. Há muitos brasileiros que vivem a sua vidinha numa cúpula de vidro, se alimentando dos clichês “positivos” (se é que clichê pode ser positivo), mas esse não é o meu jeito, sempre fui muito crítica. E como pessoa crítica não posso fechar os olhos para a xenofobia que cresce cada vez mais e ganha a cada dia mais força, não só na Alemanha como na Europa inteira.
Os brasileiros por sua vez são geralmente muito bem recebidos e aceitos, desde que se ponham no seu lugar e se contentem em viver o clichê que lhes são impostos. A situação é muito semelhança a já descrita pela Kelly que está na Noruega. Muitos alemães também se consideram melhores que qualquer estrangeiro (e a situação piora se você não é europeu e nasceu com a cor de pele “errada”) e não conseguem aceitar que pessoas vindas do assim discriminado ”terceiro mundo” possam ser tão boas, ou até mesmo muito mais qualificadas que eles.
Porém antes brasileiro na Alemanha que turco, árabe, africano ou sinti ou roma (ciganos). Esses sofrem discriminação excessiva.

– Você tem filhos? Se sim, eles se adaptaram ao novo país? Estudam e têm amigos locais?
Não, não temos filhos. Só temos a nossa gatinha, Hannah.
Aline na Alemanha

– Sente saudades da família no Brasil? Sente falta de produtos, alimentos e outras peculiaridades?
Não há como não sentir saudades da família e dos amigos, isso é algo com que teremos que conviver por toda vida.
Na Alemanha, pelo menos nas grandes cidades, não há problema em conseguir produtos brasileiros, mas sempre acaba sobrando alguma especialidade que só se pode comprar no Brasil.
Eu e o Mirko somos apaixonados pela cozinha asiática (chinesa, tailandesa, indiana), quase não cozinhamos à brasileira. O que facilita o nosso dia-a-dia culinário.

– O que costuma fazer nas horas vagas, finais de semana e feriados? Quais as atividades recreacionais existentes?
No inverno ficamos a maior parte do tempo em casa. Recebemos amigos e ficamos conversando por horas ou jogamos algo. Também vamos ao cinema ou algum barzinho. Além disso como trabalho com a organização de visitas à museus acabo frequentando muitas exposições de arte.
Para os alemães o frio geralmente não é motivo para ficar em casa. Muito menos a chuva, principalmente numa cidade como Hamburgo, onde chove com muuuuita frequência.
No verão frequentamos parques e tomamos muuuuito sorvete. Eu tenho a impressão de que aqui se toma muito mais sorvete que no Brasil. Todo mundo passa todo tempo possível ao ar livre. É incrível como os alemães mudam de temperamento com o calor, as pessoa sorriem e puxam conversa do nada. Mas também dá pra entender, né, quem não ficaria de mal-humor depois de meses de frio e pouca luz?
O interesse pelo meio ambiente na Alemanha é muito grande, assim como as atividades em meio a natureza.
Além disso ainda há a possibilidade de visitar outros países europeus, já que estamos no centro da Europa. Eu acho que não há outro povo que goste tanto de viajar como o alemão.
Aline na Alemanha

– Você tem planos para o futuro? Pretende viver nesse país para sempre?
Não pretendemos ficar aqui para sempre. Estamos à procura de um novo “lar”, um lugar onde possamos dizer: “Aqui nos sentimos em casa.” A Alemanha infelizmente não é esse lugar.

– Você comprou ou alugou o local que reside? Quanto pagou ou paga por isso? Comprar imóveis é algo comum nesse país?
Nós alugamos nosso apartamento, o aluguel é muito comum na Alemanha e não tem nada a ver com status social. O importante é fazer do lugar onde se mora o melhor possível. Os alemães gostam muito de se identificar com o lugar onde moram. O bairro é muito importante e tem que combinar com a sua personalidade. Para as pessoas jovens nas cidades grandes o fator “coolness” também é muito importante.
Numa cidade como Hamburgo onde o aluguel é caro, se paga em média de € 10 à € 11 por m² (incluso: calefação, coleta de lixo, seguro, e limpeza da escadaria). Claro que isso depende muito de onde você queira morar. Quanto mais longe você morar do centro menos terá que pagar.
Água e luz custam em média € 100 por mês (para 2 pessoas), internet e telefone € 60, GEZ (imposto que financia as mídias públicas e que é obrigatório para quem possui um televisor e rádio) € 18.

– Qual o custo de vida?
Acredito que serão necessários mais ou menos € 2500 (netto) mensais para uma família levar uma vida tranquila e sem privações.

– Quais os pontos positivos e negativos de morar nesse país?
Vou responder à essa pergunta com: “coisas de que não vou sentir falta” e “coisas de que vou sentir falta”.
Do que não vou sentir falta:
– Da inflexidade alemã. Tudo deve ser feito como sempre foi feito, se você tenta fazer de outra maneira atingindo os mesmo resultados, ouvirá com certeza: “Não é assim que se faz!” (So macht man das nicht!)
– Da burocracia. Acredite, Kafka não exagerou! Se não acredita, pergunte à um alemão!
– Da intolerância. Durante séculos a Europa enviou millhões de cidadãos pelo mundo inteiro, essa migração (colonização) destrui, mudou e influenciou outras culturas através da imposição. Hoje a Europa parece se esquecer disso tudo e gosta de posar de vítima se dizendo ameaçada pelos novos costumes trazidos pelos imigrantes. No seu discurso só há lugar para aspectos negativos da migração, que eles mesmos iniciaram por falta de mão de obra. É muita hipocrisia!
– Da hipocrisia política. Não pense que aqui a corrupção não exista. Aqui ela só tem outro nome.
– Do pessimismo. O alemão é campeão em reclamar e resmungar (motzen).
– Da perda dos valores sociais na sociedade e na política. Os últimos governos, assim como o atual, têm destruído tudo o que alemães depois de anos de luta por igualdade social, conseguiram conquistar.

Coisas de que sentirei falta:
– Do amor ao “do-it-yourself.” Os alemães são muito dedicados ao lar e gostam de fazer tudo sozinhos. Com certeza só vão chamar um especialista se depois de várias tentavtvas não obterem resultado algum. Estão sempre dando uma melhoradinha na casa e se orgulham muito de seu trabalho.
– Da eficiência e pontualidade dos transportes públicos.
– Do amor aos animais (principalmente aos domésticos).
– Da paixão pela bicicleta. Aqui no norte da Alemanha tudo é plano, não há montanhas. Por isso as pessoas gostam muito de andar de bicicleta. Muitas pessoas nunca usam transportes públicos (mesmo com temperaturas baixissímas!) e só se movimentam através de bicicletas.
– Das estações do ano, que são muito marcadas. O inverno, ao contrário de muitos brasileiros (e alemães também!), não me incomoda tanto. O que me incomoda é o verão curtíssimo e chuvoso de Hamburgo. Mas quando o sol aparece fica até às dez da noite, no verão!
A chegada da primavera depois de longos meses de inverno é um momento indescritível; nos galhos das árvores surgem os brotos e no coração da gente uma euforia aparentemente sem razão específica.
Aline na Alemanha

– Da descontração no vestuário. Aqui cada um veste o que quer, não há uma linha regente. Há os da linha chic e os desleixados, mas geralmente todos são tratados da mesma maneira. Estudantes adoram o look “desleixado-cool”. Cada um tem a sua tribo.
– Dos chás. Já gostava de chás no Brasil, mas aqui fiquei viciada. A variedade é muito grande, tem chá para todos os gostos.
– Dos audiobooks. A quantidade de audiobooks é enorme e a qualidade é muito boa. Adoro cozinhar ouvindo uma história.

– Qual a curiosidade que mais te chama a atenção nesse país?
O Natal. Na Alemanha há o primeiro e o segundo dia de Natal (25 e 26 de dezembro). Nessa época também se tem o costume de assar biscoitos típicos da época que se chamam “Plätzchen”; ingredientes típicos são; canela, marzipan, chocolate.
Além disso há o Adventskalender, que é adorado pelas crianças (e por muitos adultos). Como o nome já diz abrange as quatro semanas precedentes ao Natal. O calendário começa exatamente um mês antes do Natal e tem para cada dia uma portinha onde é colocado um presente. O último dia do calendário culmina no Natal. Hoje em dia a maior parte da produção dos Adventskalender é industrial e atrás de cada portinha se esconde, geralmente, um chocolate. Como os alemães dão muito valor à manufactura, você fará um alemão muito feliz se der de presente um Adventskalender feito por você mesmo.
Um evento muito importante é o “Weihnachtsmarkt” (uma espécie de feira onde tudo gira em torno do Natal; a palavra Natal em alemão é Weihnachten). Nessa feira se encontra todo tipo de decoração e especialidades natalinas. Como a temperatura é baixa nessa época, a bebida predileta é o “Glühwein”(vinho quente com ingredientes que lembram muito o nosso quentão).
E para terminar há o “Adventskranz”, uma guirlanda com quatro velas que são acesas a cada advento até chegar o Natal.

– O país que você reside tem alguma coisa que é usado no dia a dia que você acha que seria interessante ser implementado no Brasil?
Eu diria que o acesso à leitura e à cultura. Aqui a leitura não é privilégio das camadas com maior poder aquisitivo. Eu vejo com frequência pessoas lendo no metrô, no ônibus ou no trem. Os leitores são crianças voltando da escola, bancários voltando do trabalho ou pintores. Eu nunca vi um pintor (de casa, não pintor como o Van Gogh) com um livro na mão no Brasil, a caminho de casa. Acho que infelizmente para muitos deles a compra de um livro é um luxo ao qual eles não podem se dar. Assim como ser alfabetizado também é um luxo no Brasil.

– Você tem sugestões ou dicas para pessoas que pretendem viver nesse país?
Venha bem preparado, tanto financeira como psicológicamente. Imigrar não é fácil, mesmo conhecendo bem a cultura, a adaptação não é fácil. Não se esqueça de que não há país perfeito. Há paises onde a infrastrutura é melhor e a desigualdade social não é gritante como no Brasil. Cabe a você decidir se esse é o país onde você quer viver, e se o que esse país lhe oferece é suficiente para lhe fazer feliz ou não.
Tenha sempre um “Plano B”, pois as coisas nem sempre funcionam como a gente quer. E como dizia a minha avó: “É melhor previnir que remediar.”
Se não der certo ou você não se adaptar, não desanime. Talvez esse não seja o “seu país”, mas se seu sonho é viver fora do Brasil continue procurando, há centenas de outros paises onde também se pode ser feliz.

– Você gostaria de recomendar algum web site ou blog relacionado à esse país?
A página do Consulado Geral Alemão é muito bem estruturada (http://www.sao-paulo.diplo.de/Vertretung/saopaulo/pt/Startseite.html). Além disso na rubrica Bem-vindos à Alemanha você encontra vários links interessantes.

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8 Respostas

  1. Obrigada por sua entrevista Aline, adorei saber um pouquinho mais da Alemanha e alemães 🙂

  2. Arrasou ,gostei!
    agora o ponto negativo mencionado ” O alemão é campeão em reclamar e resmungar : LOL

    P.S.:amei tua gatinha!

  3. Gostei muito da tua entrevista. Principalmente quando fala que que eles reclamam e resmungam, quando fala que o verão é curto……..e que não pretende morar para sempre na Alemanha………….
    Estou morando aqui desde janeiro/2.009. Eu simplesmente odeio o frio……………………….

    Boa sorte….

    Beijos/Meire (Heidenheim)

  4. Gostei da entrevista…e principalmente da sua gatinha! Sorte por ai! 🙂

  5. Oi Aline!!

    adorei sua entrevista!! você conseguiu encontrar um ponto de balanço entre ser informativa e pessoal ao mesmo tempo.

    E a mim só cabe.. assinar em baixo!! Parabéns!!

    beijinhuss, ná. =)

  6. Amiga que legal te ver aqui, e que saudades!!!!
    Sua entrevista foi maravilhosa, muita informaçao e descriçao da Alemanha.
    um grande beijo e continue sendo esta pessoa maravilhosa
    te adoro!!!!

  7. Aline

    Muito inteligente e interessante sua análise sobre a Alemanha. Adorei!!!

    Abraços,

  8. Oi Aline! Gostei muito da sua entrevista.
    meu nome e Renata e a 9 meses estou morando em Luxemburgo. Eu queria saber se voce pode me ajudar…estou querendo mandar uma televisao usada para o Brasil. Quando eu morava nos E.U.A tinha um servico de mandar caixas por navio, voce conhece algum servico perecido ai na Alemanha?
    Ficarei muito grata se voce puder me ajudar e minha familia ficara muito feliz.
    Desde ja muito obrigada.
    Meu e-mail e renatalux@ymail.com

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