Projeto Dekassegui

Joseanne no JapãoJoseanne jogou tudo pro alto em nome do amor. Abandonou a carreira de arquiteta no Brasil para viver ao lado do marido no Japão. Marcos, seu marido,estava desempregado há 8 meses e então resolveu ser um dekassegui (pessoa que sai da terra natal para trabalhar) na terra do sol nascente para conseguir estabilidade financeira. Joseanne arrumou as malas e embarcou junto nessa viagem rumo ao Oriente. Mesmo após 6 anos em solo nipônico, eles pensam em voltar ao Brasil para tentar uma vida nova.

– Nome:
Joseanne Minozzo Hida

– Onde nasceu e cresceu?
Poços de Caldas-MG,mas cresci em vários lugares. Minha família sempre se mudou bastante por causa do serviço do meu pai.

– Em que país e cidade você mora?
Japão, Iida-shi (lê-se ida c/ 2 “ï”).
Joseanne no Japão

– Você mora sozinho ou com sua família?
Moro com meu marido e 2 filhos.

– Há quanto tempo você reside nesse local?
6 anos.

– Já residiu em outro(s) país(es) antes dessa experiência?
Sim, na Bolívia durante 4 anos. Meu pai trabalhava em uma construtora e foi chamado p/ trabalhar lá.

– Qual sua idade?
30

– Quando surgiu a idéia de residir no exterior?
Meu marido é descendente de japonês (sansei-3o geração) e ele já havia morado aqui. A idéia surgiu quando ele estava desempregado há 8 meses no Brasil e a situação financeira estava ruim. Inicialmente ele viria sozinho para ficar 6 meses, mas eu decidi vir também, pois sabia que um dekassegui (pessoa que sai da terra natal para trabalhar) nunca fica o tempo previsto. A estadia se torna longa por causa da estabilidade financeira.

– Foi difícil conseguir o visto de residência ou o visto de trabalho?
Como sou casada com sansei não foi difícil conseguir o visto de 1 ano.Depois de renovar o visto 2 vezes consegui pegar de 3 anos. Conseguir o visto permanente é mais difícil.

– Você tem seguro saúde? Foi difícil obtê-lo antes ou depois da sua chegada?
Fiz o seguro saúde quando engravidei da primeira vez, após 3 anos da minha chegada no Japão e não é difícil conseguir. É só pedir na prefeitura, pois aqui não tem hospital de graça e é obrigatório fazer um seguro saúde. Todos pagam pela saúde, diferente do Brasil. Eu optei fazer o kokumin kenkoo hoken (seguro nacional de saúde), mas existe outros tipos. Paguei cerca de 4 mil dólares fora as prestações mensais que não são baratas.
Joseanne no Japão

– Você trabalha? Como a renda familiar é obtida?
Atualmente não trabalho, pois tive meu segundo filho há 5 meses e não tenho direito a licença maternidade, por isso não tenho renda. Conseguir emprego em fábrica é fácil por aqui. É só procurar uma empreiteira. Já saímos do Brasil empregados. Na Liberdade (SP) tem várias agências que empregam e se responsabilizam em mandar o trabalhador para o Japão.
Meu marido trabalha numa fábrica de couro há 6 anos e há 1 ano criamos uma empresa de filmagem de festas, a StudioM japan, para atender exclusivamente a comunidade brasileira. Desde então, completamos nossa renda fazendo DVD’s de aniversários, casamentos e formaturas. Confiram o site: www.studiomjapan.com.

– Se a resposta anterior foi sim, você mudou de área depois da saída do Brasil ou continua no mesmo setor?
No Brasil eu trabalhava num escritório de Engenharia,apesar de ter me formado em Arquitetura. Aqui, a maioria dos brasileiros trabalha em fábricas como operários, o que é nosso caso.

– Você fala a língua local? Você acredita que é importante aprender a língua local?
Aprendi sozinha as escritas: katakana e hiragana. Ainda tem o kandi (com 15 mil ideogramas) que é difícil para qualquer estrangeiro aprender. Não sei kandi e sei muito pouco da língua japonesa. Acho importante saber o idioma, pois facilita a integração na sociedade. Dependo de tsuiaco (tradutor) para muitas coisas e isso é desagradável.

– O que você pensa sobre seu novo país e o local onde mora (e/ou onde morou)? Eles respeitam os Brasileiros e outros expatriados vivendo nesse país?
O Japão é um país desenvolvido, tranquilo e o povo bem educado, mas falta calor humano. Em geral,somos bem recebidos. Meus vizinhos japoneses sempre cumprimentam e conversam comigo. Eles têm regras que temos que cumprir, como em qualquer outro lugar. Uma vez fizemos churrasco e nem tinha anoitecido quando o pessoal estava jogando truco e a polícia chegou para saber o que estava acontecendo. A vizinhança reclamou do barulho achando que os brasileiros estavam brigando por causa da gritaria, comum no truco. Explicamos ao policial e ele entendeu. Só pediu para que fizéssemos silêncio. Aqui impera a lei do silêncio.
Joseanne no Japão

– Você tem filhos? Se sim, eles se adaptaram ao novo país? Estudam e têm amigos locais?
Tenho um casal. Optei pela educação brasileira do Henrique, de 3 anos, pois como pretendo voltar ao Brasil e não quero que ele tenha dificuldade de adaptação. Aqui tem escolas brasileiras conceituadas, mas admito que ainda faltam profissionais mais bem qualificados.

– Sente saudades da família no Brasil? Sente falta de produtos, alimentos e outras peculiaridades?
Sim. Senti muita falta da ajuda da minha mãe quando meus filhos nasceram. Os avós sempre veem os netos pela webcam, mas meus pais admitem que gostariam de conviver com eles.
Aqui tem lojas de produtos brasileiros e restaurantes, por isso comemos pastel e feijoada em solo nipônico. Claro que não tem de tudo. Sinto falta dos doces e da variedade de sabores de sorvetes do Brasil. Sinto falta também de comer pastel na feira aos domingos. Aqui não existe feira.

– O que costuma fazer nas horas vagas, finais de semana e feriados? Quais as atividades recreacionais existentes?
Quando não tinha filhos ia a shows de rock, Disney e Universal. Agora, no fim-de-semana sempre vamos à piscina, parques e games para o lazer das crianças. Em feriados longos vamos a restaurantes brasileiros em outras cidades ou parques temáticos. Eu adoro cinema. No Brasil ia toda semana, mas aqui não dá por causa do idioma.
Joseanne no Japão

– Você tem planos para o futuro? Pretende viver nesse país para sempre?
Não quero viver aqui pra sempre. Vou tentar “sobreviver” no Brasil e se não der certo aceitarei a proposta da minha irmã de ir para o Canadá. Ela gostou e está lá há 1 ano. Acredito que meus filhos terão mais oportunidades lá aprendendo o inglês nas escolas canadenses.
No futuro, eles poderão escolher em qual país do mundo querem morar, pois saberão a língua universal, diferente do japonês que só se usa aqui.

– Você comprou ou alugou o local que reside? Quanto pagou ou paga por isso? Comprar imóveis é algo comum nesse país?
Alugamos o apartamento por 500 dólares. Para comprar um imóvel é preciso ter o visto permanente, que é um pouco difícil de conseguir. Não é comum os brasileiros comprarem imóveis aqui.

– Qual o custo de vida?
O custo de vida é alto, principalmente, alimentação. Muita coisa vem de fora e se torna caro, como por exemplo, a banana. Em compensação, eletrônicos e carros são bem acessíveis. Pode-se pagar à vista. Não é como no Brasil que tudo é pago em longas prestações. Para uma família de 4 pessoas se manter, gasta-se em média 2 mil e quinhentos dólares.

– Quais os pontos positivos e negativos de morar nesse país?
Positivo: a segurança. Posso sair na rua com carteira na mão ou esquecer o carro destrancado que não sou roubada.
Negativo: a distância do Brasil, a saudade, o frio rigoroso e a culinária. Já enjooei dos restaurantes daqui.Não gosto de peixe, lula, polvo, pimenta, sushi, sashimi, chá verde…

– Qual a curiosidade que mais te chama a atenção nesse país?
A igualdade social e a educação do povo. Eles pedem gomenasai (desculpa) toda hora, mesmo quando estão errados. Acredita que uma vez no trabalho, uma mulher foi matar uma abelha e antes de esmagá-la ela pediu desculpa para abelha? Rs…

– O país que você reside tem alguma coisa que é usado no dia a dia que você acha que seria interessante ser implementado no Brasil?
Várias coisas poderiam ser adotadas no Brasil, começando pela educação. As pessoas aqui aprendem desde crianças a não jogar lixo na rua e na escola todos varrem a sala no final da aula. Acho isso um ótimo exemplo, pois assim iríamos valorizar mais o trabalho dos garis e ajudar as cidades a serem mais limpas, ao invés de culparmos os políticos pela sujeira urbana.

– Você tem sugestões ou dicas para pessoas que pretendem viver nesse país?
Venham para cá conscientes de que o trabalho aqui é sacrificante e a carga horária pesada. É uma ilusão pensar que trabalhando como operário vai ficar rico. As pessoas no Brasil acham que a vida aqui é fácil. Não é verdade. Tudo é conquistado com muito sacrifício.

– Você gostaria de recomendar algum web site ou blog relacionado à esse país?
Para maiores informações acessem: www.portaldekassegui.com

Participe, deixe seu comentário!

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13 Respostas

  1. japao? esse sim uma país diferentes culturas,em especial o idioma.
    Adorei a o item “curiosidade” do país.(risos..)

  2. Moça corajosa essa! Não sei se eu teria a mesma coragem.
    Fre

  3. Realmente a vida não é fácil aí. O irmão do namorado da minha irmã tbm estar aí faz alguns anos e diz a mesma coisa, mas ele não pretende voltar tão cedo.
    bjokas

  4. É Vivi…pior é que ñ sei se a gente precisa de mais coragem p/ viver aqui ou no Brasil,no meio daquela violência toda e desemprego.O jeito é ir a luta.
    Bjos

  5. Ah Catia!Já que vc. gostou vou contar mais 2 curiosidades:aqui ñ tem tanque nas residências.Tem q esfregar pano no ofurô.E tem uns móveis tão leves e descartáveis que o primeiro sofá que tive dava p/ levantar com uma mão só e o assento era rente ao chão.Pena que nw tenho uma foto,mas acho que dá p/ ter idéia.Minha irmã deu risada qdo. viu no vídeo q mandei p/ ela.

  6. A nossa segurança e tranquilidade aqui no Japão está um pouco ameaçada, devido a crise tem ocorrido boatos de roubos, uma coisa impensável há uns 3 meses atrás…
    Tbm sonho em morar um dia no Canadá, planejava isso pra daqui uns 10 anos, pelo mesmo motivo que o seu: uma melhor educação às crianças.
    Parabéns a vc pela sua coragem de abandonar tudo no Brasil e vir pra cá com seu marido!
    Concordo com vc, a vida aqui não é fácil mesmo, muitos acham realmente q vão ficar ricos e é só ilusão!,
    Beijos!

  7. Adorei a entrevista, tenho fascinacao pelo Japao, sempre brinco com meu marido que fui gueisha na outra vida. Parabens pela entrevista, muitos sonhos e sucesso pra vc e sua familia!

  8. Muito boa a entrevista. Eu penso que qualquer mudanca drastica assim exige coragem, mas a gente aprende e cada vez vai ficando mais facil..
    Tambem sou imigrante no Canada, assim como a Jeanne..
    Alias, vc se parece muito com ela.

    😉

  9. Com a crise como tah achar emprego aí?

  10. Ola!, gostei da entrevista, voces pretendem ir para o Canada?, bom, eu tambem, vou ver se consigo acertar tudo para o proximo verao, porque chegar la no inverno e “fria”. Tenho um contato que mora em Toronto e esta me dando umas dicas, a minha maior preocupacao e essa crise que parece que chegou por la tambem, tem muito imigrante que perdeu o emprego nos EUA e esta indo pra la tambem, isso e um pouco preocupante, sera que vai ter servico pra todos?. Boa sorte nos planos de voces!. (gunma-ken, Itakura-machi)

  11. Joseanne,

    Parabéns pela coragem.

    Meire

  12. Josseanne,

    Atualmente moro no mexico com meu marido e minhas duas filhas, 3 e 1 ano, e recebemos uma proposta de ir ao Japao, mas estou com muito medo, nao sei se poderiamos conversar por e-mail para vc tirar algumas das minhas duvidas e aquietar um pouco meu coracao….estou precisando de ajuda agora para decidir a minha vida….Se outras pessoas lerem e tiveram experiencia no japao e puderem me ajudar eu agradeceria….fernandaalem@hotmail.com

  13. adorei sua reportagem dez pra vc .excelente.bj que Deus abençoi vc e sua familia

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