Uma longa jornada com destino à Microsoft

Melissa nos Estados UnidosMelissa, desde quando fazia informática na Universidade Federal do Rio de Janeiro já sonhava em fazer um mestrado em design no exterior. Com uma oportunidade de estágio na Siemens em Nova Jersey, ela se foi de mala e cuia. De lá foi fazer o mestrado na Ohio State University e recém-formada conseguiu um emprego como designer na gigante Microsoft.

Nome:
Melissa Quintanilha

– Onde nasceu e cresceu?
Rio de Janeiro, cidade maravilhosa.

– Em que país e cidade você mora?
Atualmente moro em Kirkland, estado de Washington nos Estados Unidos.
Melissa nos Estados Unidos

– Você mora sozinho ou com sua família?
Sozinha. Quisera eu ter vindo com a companhia da família ou um namorado…

– Há quanto tempo você reside nesse local?
Em Kirkland estou há quase 2 meses. Antes morei 1 ano em Nova Jersey e 3 anos em Ohio. Ao todo estou há pouco mais de 4 anos nos Estados Unidos.

– Já residiu em outro(s) país(es) antes dessa experiência?
Infelizmente não, mas adoraria ter essa experiência.

– Qual sua idade? 29 – Quando surgiu a idéia de residir no exterior?
Desde quando eu estava na faculdade fazendo informática, sabia que minha real paixão era o design. Então eu tinha o sonho de fazer um mestrado em design no exterior. Pensava que fosse mais um desses sonhos impossíveis de que tanto ouvimos falar. Depois de formada em informática, meu namoro de 6 anos acabou, voltei para a casa dos meus pais, o emprego estava mais ou menos e a vida pessoal não ia nada bem. Foi quando uma amiga, que sabia da minha vontade de fazer mestrado fora, recebeu o anúncio de uma vaga de estágio como designer na Siemens em Nova Jersey. “Não é o mestrado, mas é um começo”, disse ela. Lembro de ter passado aquela noite em claro traduzindo meu currículo e atualizando meu site. No dia seguinte enviei meu currículo pra vaga. Um tempo depois fiz uma entrevista por telefone e depois de 1 semana fiquei sabendo que tinha sido selecionada.
Sem pensar duas vezes, me mandei sozinha pra lá. Trabalhei 1 ano na Siemens e de lá me informei em como fazer o tão sonhado mestrado. Fui aceita pelo departamento de design da Ohio State e depois de 1 ano em Nova Jersey, fui (novamente sozinha) pra Ohio onde morei 3 anos e completei o mestrado.
Melissa nos Estados Unidos

– Foi difícil conseguir o visto de residência ou o visto de trabalho?
Não foi difícil pois eu já tinha a oferta de estágio da Siemens. Difícil é ser selecionada pra um emprego no exterior. Mas se você é bom, eles reconhecem. Então, quando se tem a oferta de emprego, a empresa envia um documento que eu só tive que levar no consulado para conseguir meu visto de trabalho temporário.

– Você tem seguro saúde? Foi difícil obtê-lo antes ou depois da sua chegada?
Tenho seguro saúde. Não foi difícil pois foi proporcionado pela Siemens como parte dos benefícios. Depois tive o seguro de saúde de estudante da Ohio State. E agora o seguro de saúde que faz parte dos benefícios da Microsoft.

– Você trabalha? Como a renda familiar é obtida?
Eu já saí do Brasil com uma oferta de trabalho. Uma brasileira que trabalhava na Siemens enviou a vaga de estágio para a lista de ex-alunos de uma universidade de design carioca, e uma amiga me repassou. Sei que concorri com brasileiro, americano, alemão e outros europeus para aquela vaga. Trabalhei 1 ano na Siemens. Na Ohio State eu também tinha um trabalho que pagava pelos custos da universidade e me dava um salário para me sustentar. Esse emprego quem me indicou foi o meu orientador do mestrado. E agora recentemente fui contratada pela Microsoft, no estado de Washington.
A oportunidade da Microsoft surgiu em um congresso na Itália onde fui apresentar meu projeto de mestrado. Lá tinha uma feira de empregos, e deixei meu currículo para algumas vagas. Saí de lá com entrevistas com a Nortel, Nokia e Microsoft. E acabei optando pela última.
Melissa nos Estados Unidos

– Se a resposta anterior foi sim, você mudou de área depois da saída do Brasil ou continua no mesmo setor?
Continuo na mesma área, trabalhando como designer.

– Você fala a língua local? Você acredita que é importante aprender a língua local?
Falo e acho essencial aprender a língua local. Quando eu tinha 16 anos fiz intercâmbio nos Estados Unidos pra aprender bem a lingua. Morei aqui um ano com uma família americana e estudei em uma high school (secundario). Aqui tem tanto estrangeiro que os locais nem ligam. Tratam todos de igual pra igual, por mais forte que seja o sotaque.

– O que você pensa sobre seu novo país e o local onde mora (e/ou onde morou)? Eles respeitam os Brasileiros e outros expatriados vivendo nesse país?
Nunca tive problemas em relação a falta de respeito ou preconceito. Aqui é o país do “politicamente correto”. Então mesmo que o pessoal tenha preconceito, eles não mostram.

– Você tem filhos? Se sim, eles se adaptaram ao novo país? Estudam e têm amigos locais?
Não tenho filhos.

– Sente saudades da família no Brasil? Sente falta de produtos, alimentos e outras peculiaridades?
Sinto uma saudade que dói. Principalmente pois vim sozinha. Mas aprendo a conviver pois estou aqui realizando um sonho e me sinto realizada profissionalmente. Sinto muita falta dos amigos e da família e ainda mantenho um contato diário com todos via internet. É como se eu ainda tivesse um pé lá. Assisto sempre DVDs de filmes e seriados brasileiros. Ainda leio O Globo. Tenho uma bandeirinha brasileira no meu celular. Ouço música brasileira diariamente que volta e meia ainda me fazem chorar. Sempre procuro uma comidinha brasileira e me emociono quando ouço alguém falando portugês. Não é a toa que a palavra “saudade” só existe em português. A gente não vive sem esse sentimento.

– O que costuma fazer nas horas vagas, finais de semana e feriados? Quais as atividades recreacionais existentes?
Em Columbus (Ohio) eu tinha tantos amigos brasileiros. Então sempre tinha um churrasco, ou nos reuníamos na casa de alguém. Um amigo nosso lá tinha um veleiro, então todo fim de semana no verão, íamos velejar. Aqui em Washington acabei de comprar uma bicicleta, então vou passar a pedalar bastante por aí.

– Você tem planos para o futuro? Pretende viver nesse país para sempre?
Pra sempre, não. Mas agora que consegui um bom emprego, prentendo ficar aqui uns anos, me estabelecer na profissão, evoluir, juntar um dinheiro. Ainda tenho um sonho de morar em outro país, tipo a Austrália, ou algum lugar na Europa com cultura similar à minha.

– Você comprou ou alugou o local que reside? Quanto pagou ou paga por isso? Comprar imóveis é algo comum nesse país?
Eu ainda alugo pois como me mudei 3 vezes em 4 anos, nunca tive a certeza de onde ficaria realmente. Aqui na região de Seattle, o aluguel é muuuito mais caro que Ohio. Ou será que Ohio é que é barato demais? Mas dá pra entender. Costa oeste, é costa oeste. Midwest, é Midwest. Eu odiei morar no Midwest e estou adorando aqui. Os lugares são muito mais bonitos e as pessoas muito mais cabeça aberta. Pensando nesse sentido, vale a pena pagar mais.
Melissa nos Estados Unidos

– Qual o custo de vida?
Para uma pessoa sozinha, uns US$3.000 por mês (sem carro).

– Quais os pontos positivos e negativos de morar nesse país?
Tem uma frase do Tom Jobim que descreve perfeitamente o meu sentimento ambíguo em relação à vida aqui: “Viver nos Estados Unidos é bom, mas é uma merda; viver no Brasil é uma merda, mas é bom.” Aqui tudo funciona, tem bons empregos, pagam bem, o pessoal valoriza seu trabalho, as ruas são limpas, não existe violência, o custo de vida é mais baixo, os produtos são mais baratos… mas falta o calor humano do brasileiro, as paisagens lindas do nosso país. E isso, já dizia Mastercard: Não tem preço. E no Brasil tem o grande problema da violência, da pobreza. Ninguém valoriza seu trabalho, ninguém quer pagar o que você merece. Você vive com medo de ser assaltado, não pode sair pra andar de bicicleta ou iPod. Não pode usar relógio em ônibus. Não há liberdade nesse sentido. É por isso que estou aqui. Não queria passar os anos mais produtivos da minha vida, num país onde eu tinha poucas oportunidades de crescer. Aqui já tive tanta oportunidade que nem acredito. Estudei numa universidade que me deixava de queixo caído diariamente, e tudo de graça. Fui apresentar meu trabalho em congressos na Dinamarca, Itália, China… E quando fui apresentar o mesmo trabalho no Brasil, o pessoal nem sequer entendia o valor da minha pesquisa. A mentalidade do brasileiro ainda não está focada na inovação e no crescimento. É uma pena pois tem tanta gente criativa e capaz nesse país. Mas eu continuo acreditando no Brasil e principalmente nos brasileiros.

– Qual a curiosidade que mais te chama a atenção nesse país?
Aqui na costa oeste tô achando o pessoal muito mais “normal”, então por enquanto não tenho nenhuma indignação. Mas em Ohio tinha diversas. Por exemplo: quando você é apresentado pra alguém, rola no máximo um aperto de mão. Mas vai a noite numa boate de hip hop pra ver? As meninas usam umas saias que mais parecem uns cintos, dançam se roçando com qualquer um que chegue. Mas na hora que o homem vai beijar dizem “Oh não, estou aqui só pra dançar”. Bom, isso é só uma das coisas… Tenho certeza que é algo caracteristico de universidade Americana. Aqui é o pessoal é tão reprimido a vida inteira, que basta fazer 21 anos, larga os pais pra trás e perde a linha sem limites.

– Você tem sugestões ou dicas para pessoas que pretendem viver nesse país?
Aqui é o lugar das oportunidades. Só que nada vem fácil. Se você está disposto a lutar pelo seu espaço, vale muito a pena. Eu consegui muito mais coisa do que imaginei pois aqui o pessoal reconhece seu esforço, te valoriza. Se eu ainda estivesse no Brasil, provavelmente estaria trabalhando num empreguinho mais ou menos e reclamando todo dia na volta pra casa. Aqui, depois de 4 anos correndo atrás, agora sou mestre em design e trabalho designer da Microsoft.

– Você gostaria de recomendar algum web site ou blog relacionado à esse país?
O meu blog pessoal: www.designando.wordpress.com.

E tem meu antigo blog que tem tudo desde quando eu saí do Rio pra vir morar nos EUA (4 anos atrás): http://www.designando.blogger.com.br/

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8 Respostas

  1. Melissa, gostei muito da sua entrevista. Moro em Paris ha’ 3 anos e compartilhamos do mesmo sentimento ambiguo em relação a vida no exterior e o Brasil. As vezes eu falo pros amigos: “Se eu penso com a razão eu nunca mais voltarei ao Brasil. Mas se eu penso com o coração eu volto correndo agora mesmo”.

    Realmente não tem preço viver sem violencia, numa sociedade mais justa. Mas ao mesmo tempo sinto o dever de voltar e ajudar a melhorar o meu pais. Acho que esse é um sentimento compartilhado por muitos brasileiros expatriados pelo mundo afora…

    Boa sorte e tudo de bom!

  2. Oi De’,
    Concordo totalmente com voce. E olha que voce mora em Paris, que e’ o sonho de muita gente (eu mesma gostaria de ter a experiencia de morar ai).

    Mas a vida no exterior so e’ glamurosa pra quem ve de fora, ne? Eu tambem quero fazer algo pelo meu Brasil sim. E’ um lugar com muito potencial e tem pessoas muito criativas.
    Depois vou la ler seu blog 🙂

    Beijos
    Mel

  3. […] —- Ah, e saiu outra entrevista comigo, num blog muito legal de brasileiros que moram no exterior. Confiram: https://expatriados.wordpress.com/2008/11/24/jornada-a-microsoft/ […]

  4. Que entrevista gostosa de se ler…Esforço, vitória e carioquice 🙂
    Bjokas

  5. Vaijeeeeeiiii no blog! Parabéns mesmoooo!!!

    Roberto Sena
    http://www.sampameulugar.wordpress.com

  6. Gostei tanto do blog que estou pretendendo escrever um artigo lá no Blog dos Irmãos, onde o mesmo será citado, posso?

    Um grande abraço!

    Roberto Sena
    http://www.blogdosirmaos.com
    http://www.sampameulugar.wordpress.com

  7. Oi Roberto, pode sim 🙂
    -Melissa

  8. Maravilhosa a entrevista!

    Uma injeção de ânimo em todos que passar por aqui, tenho certeza!
    Nada como acreditar no seu sonho e lutar por ele, batalhar c/ coragem. A conquista sempre vem.

    Te admiro mto.
    Mil beijos,
    Rô.

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