Mineirinha n’Alemanha

Sandra na AlemanhaSandra, que nasceu e viveu em Beagá até os 23 anos, foi para a Alemanha em 1993 para um estágio da AIESEC na área de comércio exterior. Sem que tivesse planejado inicialmente, acabou ficando por lá, se casou, teve filhos e seguiu carreira. Ela mora no extremo sul da Alemanha, no Lago de Constança, bem pertinho da fronteira com a Suíça. É casada, tem dois filhos e trabalha como gerente de Recursos Humanos em uma empresa de médio porte alemã.

– Nome:
Sandra

– Onde nasceu e cresceu?
Em Beagá (Belo Horizonte-MG)

– Em que país e cidade você mora?
Lago de Constança, Alemanha

– Você mora sozinho ou com sua família?
Moro com minha família: marido e dois filhos, Taísa, de quase 13 anos, e Daniel, que tem 3 anos de idade.
Sandra na Alemanha

– Há quanto tempo você reside nesse local?
Aqui na região desde 1998, na Alemanha em si desde 1993.

– Já residiu em outro(s) país(es) antes dessa experiência?
Não

– Qual sua idade?
37

– Quando surgiu a idéia de residir no exterior?
Desde pequena sempre tive fascinação por outros idiomas, países e culturas. Trabalhei para a AIESEC durante os 4 anos de universidade e fui diretora de intercâmbio local e nacional, tendo organizado através da associação vários estágios no exterior para estudantes brasileiros das áreas de Ciências Econômicas e Gerencias. Quando vim para a Alemanha, minha intenção era a de fazer o meu estágio da AIESEC de um ano e depois voltar para o Brasil. Mas o amor falou mais forte…

– Foi difícil conseguir o visto de residência ou o visto de trabalho?
Não, pois de início vim como estagiária, depois estudei por curto espaço de tempo e logo depois me casei.

– Você tem seguro saúde? Foi difícil obtê-lo antes ou depois da sua chegada?
Tenho. Quando cheguei como estagiária, tinha um seguro de saúde privado e desde que consegui o primeiro emprego tenho o seguro social garantido por lei, válido para todos os cidadãos que moram e trabalham na Alemanha.

– Você trabalha? Como a renda familiar é obtida?
Sim, trabalho. Sou diretora de Recursos Humanos e meu marido também trabalha (na Suíça, pois moramos na fronteira). O cargo atual me foi oferecido em 2005, depois de 5 anos na empresa. Para ler mais sobre minha experiência profissional, clique aqui.

– Se a resposta anterior foi sim, você mudou de área depois da saída do Brasil ou continua no mesmo setor?
Continuo no mesmo setor. Sou formada em Administração, com ênfase em Marketing e Recursos Humanos pela UFMG, e Comércio Exterior pela UNA.

– Você fala a língua local? Você acredita que é importante aprender a língua local?
Falo. E considero importantíssimo aprender o idioma local. Se estou no exterior, tenho que me adaptar ao meio em que vivo, por interesse próprio. E quanto mais eu faço a minha parte, mais sou recompensado, pois estarei abrindo portas para facilitar a minha inserção e integração na sociedade em que vivo.

– O que você pensa sobre seu novo país e o local onde mora (e/ou onde morou)? Eles respeitam os Brasileiros e outros expatriados vivendo nesse país?
Eu adoro morar aqui, principalmente na região do lago de Constança. Em geral o alemão adora os brasileiros, logo associa a bom humor, futebol, festa… Obter respeito pressupõe que eu, como estrangeira, respeite também as pessoas ao meu redor. Se isso acontece e mesmo assim eu não sou tratada com respeito, como poderia acontecer em qualquer outro lugar do mundo, saberei com certeza transmitir minha opinião e impor respeito.

– Você tem filhos? Se sim, eles se adaptaram ao novo país? Estudam e têm amigos locais?
Sim, tenho dois filhos. Ambos nasceram aqui, portanto não há nenhum problema de adaptação. Minha filha frequenta a 6a. série do ginásio e o Daniel fica em uma creche enquanto eu trabalho (6 horas diárias).

– Sente saudades da família no Brasil? Sente falta de produtos, alimentos e outras peculiaridades?
Claro! Sinto muita saudade, principalmente da minha família e dos amigos. Sinto falta de comida típica mineira, de pão de queijo… a lista seria interminável. Quando vou ao Brasil, posso dizer que não páro de comer um segundo só!… hehehehe. Sinto também muita falta de música brasileira, eu vivo descobrindo novos cantores e comprando CDs brasileiros pelo Amazon através dos USA.

– O que costuma fazer nas horas vagas, finais de semana e feriados? Quais as atividades recreacionais existentes?
Costumo ler, escrever, sair com meus filhos e amigos, ouvir música, ir ao cinema, etc. A região é muito bonita e oferece várias opções de lazer. O lago vira uma “praia” no verão!
A diferença entre o “passear” aqui e no Brasil é que aqui há a dependência do tempo e da estação do ano e por consequência da temperatura. Por exemplo: vários encontros no verão, que são planejados para o ar livre, podem ser prorrogados por causa do mau tempo.

– Você tem planos para o futuro? Pretende viver nesse país para sempre?
Eu pretendo morar aqui até me aposentar. Depois pretendo morar metade do tempo aqui e a outra metade no Brasil. Gostaria de encontrar uma atividade através da qual possa viajar com mais frequência, também para o Brasil, assim que meus filhos crescerem.

– Você comprou ou alugou o local que reside? Quanto pagou ou paga por isso? Comprar imóveis é algo comum nesse país?
O apartamento onde moro é financiado. Imóveis aqui são extremamente caros, ainda mais na região do lago de Constança, que é uma área muito turística. Uma casa geminada custa pelo menos 250.000 euros.

– Qual o custo de vida?
Eu considero o custo de vida aqui alto. Ultimamene a inflação está aumentando, como resultado do aumento dos custos de combustível, alimentos e energia. Se uma pessoa mora aqui para estudar, ou por pouco tempo, sem família, o custo de vida aqui pode ser menor, pois envolve menos gastos fixos com seguros, por exemplo.
Na Alemanha, uma família de 4 pessoas (2 adultos, 2 crianças) precisa por mês de pelo menos 500 euros para alimentação, aprox. 700 euros para aluguel, sem falar em seguros, lazer, etc. Por sorte a escola é gratuita, médicos e medicamentos para crianças são completamente financiados pelo seguro social!

– Quais os pontos positivos e negativos de morar nesse país?
Como eu citei acima, o seguro social é muito bom. Para mim é também principalmente o conceito de ter o direito de ser cidadão. Contribuo com o pagamento de impostos que são realmente revertidos em prol da população: as ruas, terrenos e edifícios públicos são bem cuidados, os meios de transporte são pontuais e de boa qualidade, etc.
Um grande ponto negativo é que a Alemanha fica longe do Brasil! Como imigrante, tenho gastos enormes para viajar ao Brasil, ainda mais porque minha filha já paga uma passagem de adulta a partir dos 12 anos. E eu não gosto muito de neve, mas por sorte a região onde moro, entre os Alpes Suíços e a Floresta Negra, costuma ter um inverno bastante ameno.

Qual a curiosidade que mais te chama a atenção nesse país?
O que sempre me impressionou são os horários dos ônibus: eles são exatos e os ônibus chegam realmente no horário! Por exemplo, no ponto do ônibus pode-se ler que o próximo ônibus passa às 7:26 da manhã, chegando ao centro às 7:41. E isso acontece! O sistema de transporte é bem planejado, sendo que os horários dos ônibus são adaptados aos horários dos trens regionais, para que as pessoas que estejam indo trabalhar, por exemplo, não tenham que esperar muito tempo na estação de trem até continuarem o caminho até o local de trabalho. Os engarrafamentos são praticamente limitados às rodovias.
Por outro lado, me impressiona o fato de que há pessoas que moram sozinhas e perdem o contato com o mundo externo. O isolamento pode ser enorme, as pessoas querem ser independentes e não gostam de aceitar nem de pedir ajuda. Já houve casos de pessoas serem encontradas mortas dentro de casa, o que somente aconteceu meses depois, quando por exemplo o dono do apartamento entrou na justiça porque o aluguel parou de entrar na sua conta…
Sandra na Alemanha

– Você tem sugestões ou dicas para pessoas que pretendem viver nesse país?
Este é um dos meus temas prediletos no meu blog, pois eu adoro escrever sobre a cultura alemã sob a perspectiva de brasileira. Teria algumas sugestões, por exemplo aqui: http://mineirinhanalemanha.wordpress.com/category/viver-na-alemanha/page/4/ ou aqui: http://mineirinhanalemanha.wordpress.com/category/viver-na-alemanha/page/6/

Em geral considero ser uma oportunidade incrível e penso que cada um deve fazer o máximo para aproveitar o tempo em que mora no exterior, não importa onde quer que esteja. Cheque a oportunidade de fazer Cursos de Integração, que são cursos de alemão de 600 horas e também cursos sobre a estrutura do país, todos oferecidos pelo governo alemão para estrangeiros através dos órgãos para estrangeiros nas prefeituras de cada país (Ausländeramt).
Para alguém que pretenda morar aqui por muito tempo, ou tenha ascendência alemã, eu sugiro que tire o passaporte alemão assim que possível, como eu mesma fiz ano passado, pois no nosso caso, o passaporte brasileiro continua tendo validade, isto é, passamos a ter duas nacionalidades.

– Você gostaria de recomendar algum web site ou blog relacionado à esse país?

http://mineirinhanalemanha.de (Meu Blog)

http://www.zuwanderung.de/EN/Home/home__node.html?__nnn=true (Imigração para o Futuro – site oficial do Ministério das Relações Interiores da Alemanha – em inglês)

http://www.bmas.de/portal/10118/soziale__sicherung__im__ueberblick.html (Sistema Social da Alemanha – site oficial do Ministério do Trabalho – em alemão)

http://www.integration-in-deutschland.de/SubSites/Integration/EN/00__Home/home-node.html?__nnn=true (Portal de Integração – site oficial do Departamento Federal de Imigração e Refugiados da Alemanha – em inglês)

http://www.bmas.de/coremedia/generator/26946/2008__07__16__aktionsprogramm__fachkraefte.html (Informações sobre os programas do governo para combater a falta de mão-de-obra qualificada na Alemanha, somente em alemão. Vou resumir o artigo em português no meu blog: www.mineirinhanalemanha.de).

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15 Respostas

  1. Sandrinha que história mais interessante a sua.

    Nós também temos um Daniel (9).

    Gostei muito da sua entrevista e dos links que você deixou por aqui.

    Beijao

  2. Que bela experiência.História de um sucesso que nao deve ter sido fácil,mas aconteceu. Quando um brasileiro se entrega de verdade, as coisas acontecem. Somos capazes. infelizmente muitos de nós ainda nao entenderam o recado. Sorte pra voce, mineirinha!

    Neide

  3. Oi Neide,
    Obrigada pelo comentário, mas nao sei se me considero uma pessoa “de sucesso”. O ponto em que concordo com vc é no fato de que a pessoa tem sim que acreditar nela para chegar a algum lugar. Se nao, nao chega, e isso em qualquer lugar do mundo!
    Um beijo e sorte para vc também,
    Sandra

  4. oi, Sandra!

    Gostei muito da sua entrevista!

    Desde 2004, acompanho teu blog e sou muito agradecida a voce por disponibilzar tanta informacao bacana e útil sobre a Alemanha.

    Felicidades para voce sempre!
    Abracos,
    Claudia

  5. Adorei teu relato desde o inicio..em tua ida para Alemanha.
    E comecei acompanhar teu blog recentemente e digo ” informativo e linda familia! ,
    Deus abencoe.
    Catita

  6. Olá!

    Acho esse país muito bonito! Ainda o visitarei algum dia… Enquanto não chego, quero mandar meu abraço para todos os brasileiros que aí vivem!
    Quanto bater aquela vontade de ler alguma coisa em Português, é só dar uma olhada em minhas crônicas, lá no HumbertodeLima.com

    O link é: http://wwwhumbertodelima.blogspot.com

  7. Sandrinha já estive nos eu blog uns tempos atrás e adorei sua entrevista.Tbm acho extremamente impt saber o idioma do país que pretende morar, ajuda muito.
    Bjokas

  8. Claudia, Catita, Humberto e Vivi,
    Obrigada pelos comentários! Aguardo a próxima visita de vcs lá no meu blog. 🙂
    Um beijo,
    Sandra

  9. Sandra,

    Acompanho o seu blog desde setembro e sou muito agradecida a você por disponibilzar tanta informacao.
    Lembrando que depois do ano novo estarei morando ai na Alemanha.

    Felicidades
    Meire

  10. […] E aqui vocês podem ler uma entrevista que ela cedeu para o site “Entrevistando […]

  11. […] – Sandra [entrevista] [blog pessoal]: De férias no Brasil me perguntaram o que é crise, onde está a crise. Eu […]

  12. Oi Sandra.
    meu nome e Renata e a 9 meses estou morando em Luxemburgo. Eu queria saber se voce pode me ajudar…estou querendo mandar uma televisao usada para o Brasil. Quando eu morava nos E.U.A tinha um servico de mandar caixas por navio, voce conhece algum servico perecido ai na Alemanha?
    Ficarei muito grata se voce puder me ajudar e minha familia ficara muito feliz.
    Desde ja muito obrigada.
    Meu e-mail e renatalux@ymail.com

  13. Oi Sandra!
    Onde posso encontrar o seu livro? Quero comprar!
    Um abraco,
    Márcia

  14. ola sr.sandra. Gostei muito da sua entrevista. a alemanha deve ser mesmo um pais muito giro. gostava tambem um dia ir viver e trabalhar lá. mas gostava de saber se foi muito complicado habituar-se ao idioma alemão? eu nunca tive aulas de alemao mas é uma lingua que me agrada bastante, porque a minha banda preferida e alemã (tokio hotel) e cantora tambem(nena). ja que nunca tive grande jeito para inglês. o que é que aconselha caso eu um dia consiga ir para lá, desde universidade, e escolas com crianças, e que tenho o curso de apoio a infancia e quero fazer marketign em berlim e viver em Magdeburg. existe algum site com classificados para quem pensa em alugar ou comprar casa? é permitido ter caes em apartamentos?
    desculpe tanta pergunta mas fiquei mesmo empolgada com a sua historia.
    com os melhores comprimentos liliana, vou deixar o meu mail para caso queira me poder resposder. aurea_santos774@hotmail.com. este é o mail que criei so para blog. já que deixar o meu pode ser um bocado perigoso.

  15. […] em contato com a Sandra através do seu blog http://mineirinhanalemanha.wordpress.com/.>> E aqui vocês podem ler uma entrevista que ela cedeu para o site “Entrevistando Expatriados”.Eu […]

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