Uma papachibé perdida na fronteira entre Alemanha e França!

Cissinha entra Alemanha e FrancaArrastada pelos cabelos (versão dela), essa paraense larga empregos e família para virar dona-de-casa (ela detesta esse rótulo) e viver um grande amor!
Cissinha é uma papachibé alto-astral, que aprende a cada dia o valor de se ter “jogo de cintura” vivendo entre dois países do velho mundo…

– Nome:
Ciça Donner

– Onde nasceu e cresceu?
Santarém/PA – Brasil

– Em que país e cidade você mora?
França, fronteira da Alemanha
Cissinha entra Alemanha e Franca

– Você mora sozinho ou com sua família?
Moro com meu esposo e meus dois filhos

– Há quanto tempo você reside nesse local?
Aqui em Freyming a pouco mais de um ano. Morei por 7 anos na cidade alemã vizinha chamada Saarbrücken.

– Já residiu em outro(s) país(es) antes dessa experiência?
Na Alemanha… agora estou na França… mas é tudo na fronteira dos dois. Mas conta, não é verdade?

– Qual sua idade?
Fiz 30… a alguns (POUCOS) anos!

– Quando surgiu a idéia de residir no exterior?
Quando conheci meu marido e ele disse: “Ou vem comigo ou ficamos por aqui”. Apesar de ter família, emprego, filho, uma vida estável, não tive muita escolha, não é verdade?

– Foi difícil conseguir o visto de residência ou o visto de trabalho?
Na Alemanha, por eu ter me casado com um cidadão alemão, tudo foi bem tranquilo e resolvido praticamente por telefone. Autorização de trabalho vem junto no pacote. Já na França (não sou cidadã europeia, precisava de um visto de residência aqui também, mesmo tendo um alemão, mesmo estando a dois passos da fronteira), tudo foi muuuuuito demorado.
Se eu dependesse do visto francês para viver ou trabalhar, teria passado um ano em desespero, pois foi o tempo que levou para ficar pronto. E ao contrário da Alemanha, onde depois de cinco anos ganhei um para a vida toda (desde que morando aqui), na França meu visto tem de ser renovado a cada cinco anos. Ou seja, novo suplício!

– Você tem seguro saúde? Foi difícil obtê-lo antes ou depois da sua chegada?
Meu marido tem seguro saúde particular. Para eu entrar como dependente dele sairia um caro. Então, arrumei um emprego, quer dizer, meu marido me registrou como funcionaria na firma dele, e fui para o seguro pEublico. Esse trâmite demorou uns 4 meses.

– Você trabalha? Como a renda familiar é obtida?
Meu marido é o responsável principal pelo sustento da casa. O que ganho, ganhava, era meu e não entrava nas despesas. Como disse acima, fui registrada na empresa do meu marido. Passei três anos brigando com pilhas e pilhas de documentos com palavras quilometricas, e eu precisava saber TODAS, até ficar grávida. Passei outros três anos de licensa maternidade, até vir para França e me registrar oficialmente como doméstica, pois as crianças frequentam escola o dia todo, mas precisam voltar para casa na hora do almoço. Portanto, enquanto não arrumar um trabalho com a mesma flexibilidade, estou em casa.

– Se a resposta anterior foi sim, você mudou de área depois da saída do Brasil ou continua no mesmo setor?
Mudei e não tenho esperanças de voltar a trabalhar na área. No Brasil trabalhava com web-designer e era professora de educação básica. Como web-designer precisaria fazer o profissionalizante deles para trabalhar, e como professora… bom, por melhor que seja meu alemão, tenho sotaque, ninguém me aceitaria!

– Você fala a língua local? Você acredita que é importante aprender a língua local?
Depende de COMO você quer viver. Para mim aprender a lingua local é primordial, essencial e vital. Por falar nisso, preciso voltar a meu curso de francês, mas conheço gente que não fala uma frase correta em alemão (tenho pouco contato com brasileiros que vivem na França) e mora aqui a trocentos anos “sem problemas”. Percebam as aspas no “sem problemas”.
É tudo uma forma de como você encara o mundo. Falar a lingua local te abre portas, mas se você não tem talento para idiomas (e tem gente que não tem mesmo, não adianta forçar) e tem para arrombar portas, pode ser que se de bem. Mas uma coisa é certa: suas chances no mercado de trabalho serão bem reduzidas.
Cissinha entra Alemanha e Franca

– O que você pensa sobre seu novo país e o local onde mora (e/ou onde morou)? Eles respeitam os Brasileiros e outros expatriados vivendo nesse país?
Essa pergunta é ardilosa…
NA MINHA EXPERIÊNCIA, e forma geral, alemão é mais correto, honesto e trabalhador.
NA MINHA EXPERIENCIA, e forma geral, francês é mais aberto, risonho, gosta “das coisas boas da vida” e não está nem ai para a ecologia!
Respeito aos brasileiros? Na minha experiência, e de forma geral, todos, inclusive nós expatriados, estamos aos poucos entendendo que respeito é algo a ser conquistado. Tem respeito quem se faz respeitar. Nossa fama aqui fora é bem feinha, e eles, meus alemães e meus franceses, aqueles que cruzaram meu caminho, entendem e aceitam isso de coração aberto, mesmo que de vez em quando a gente tenha de abrir esse coração na pancada. Eles sabem que não podem generalizar, assim como eu estou tentando não faze-lo aqui. Uma pessoa, uma boa pessoa, será boa de acordo com as possibilidades que lhe forem dadas. Isso também vale para o profissional.

– Você tem filhos? Se sim, eles se adaptaram ao novo país? Estudam e têm amigos locais?
Meu mais velho, hoje com 15 anos (quero avisar que eu era quase uma bebê quando ele nasceu) chegou aqui aos 7 e foi direto para escola. O período de adaptação foi curto, porém intenso. Hoje, para ele é tudo uma vaga lembrança, mas eu ainda lembro das tardes que passei com ele no parquinho para que se sentisse seguro enquanto “fazia contato com os locais”.
O mais novo nasceu na Alemanha e hoje estuda na França.

– Sente saudades da família no Brasil? Sente falta de produtos, alimentos e outras peculiaridades?
Lógico, lógico e lógico. A saudade aos poucos vai acalmando, mas ela é um bichinho traiçoeiro. Quando menos se espera, tá plantada no seu cangote!
Produtos e alimentos brasileiros você pode achar praticamente todos, ou importados, ou equivalentes. O único problema, porém, é quem prepara. Posso ter o milho, o leite condensado, a canela, o leite de coco, mas mamãe não está aqui pra fazer o mingauzinho de milho branco que só ela sabe!

– O que costuma fazer nas horas vagas, finais de semana e feriados? Quais as atividades recreacionais existentes?
Tenho uma vida muito caseira, as vezes até demais para meu gosto. Existe várias coisas para se fazer com família, sem família, com namorada, para arrumar namorada… tem programa para todos os gostos, você só precisa saber “onde está rolando a parada”. Se é inverno, tem parques infantins e piscinas aquecidas. Se é verão, ou se tem um brexinha de sol lá fora, o povo se manda para caminhar nas florestas, bosques, fazer pic-nic ou pegar sol peladão em algum lugar. Não se espantes… qualquer calorzinho tem de ser aproveitado!!

– Você tem planos para o futuro? Pretende viver nesse país para sempre?
Meu sonho de vida era encaminhar meus meninos aqui, comprar uma casinha a beira de uma linda e tranquila praia (mas com internet e acesso asfaltado) no Brasil e terminar, ou começar depende do ponto de vista, meus dias por lá com meu marido. A gente trabalha pra isso, mas se não acontecer, eu viveria tranquila para sempre aqui sem problemas.

– Você comprou ou alugou o local que reside? Quanto pagou ou paga por isso? Comprar imóveis é algo comum nesse país?
Há dois anos quando colocamos na ponta do lápis quanto se foi gasto em 7 anos de aluguél resolvemos comprar uma casa. Escolhemos comprar/financiar na França por ter imóveis mais baratos do que na Alemanha, e pelo imposto aqui ser menor também. É super comum alemães fazerem isso. Meus vizinhos são todos alemães. Me sinto “em casa”.

– Qual o custo de vida?
Pergunta difícil… comparado a que? Ao custo de vida brasileiro? Aqui é maior. Porém se tem melhores oportunidades de trabalho QUALIFICADO, ou seja, aquele com relativo nível de estudo. Uma família de 4 pessoas pode viver com 1.200€ e se dar ao luxo de ter um carro, computador, alugar ou pagar prestaçao de casa/apartamento e com um bom controle ainda sobra um dinheirinho para as férias!

– Quais os pontos positivos e negativos de morar nesse país?
Positivo:
– está no centro das civilizações (ou o que o povo chama de civilizado)
– Segurança
– organização
– burocracia que funciona (tô falando da Alemanha. A França perde nesse quesito feio)
Negativo
– frio
– frio
– frio
– égua do frio
Cissinha entra Alemanha e Franca
– Qual a curiosidade que mais te chama a atenção nesse país?
Comentei lá em cima, por alto, mas é algo que realmente me chama atenção aqui: o nudismo. Não tem nada de saliência não, é simplesmente não ter vergonha de seu corpo. A alguns anos escrevi sobre isso em minha coluna na comunidade Viver na Alemanha. Quem quiser dar uma linda, tá aqui o link.
É só procurar em Postagens anteriores; “Os peladoes da Alemanha”.

– Você tem sugestões ou dicas para pessoas que pretendem viver nesse país?
Se não vier com trabalho certo, não venha. Alemanha não é a América “que se faz”. As coisas aqui funcionam, ou deveriam funcionar dentro dos conformes e para trabalho ilegal, ou viver de seguro social porque tem nacionalidade do bisavô, não é exatamente a atitude de se construir algo por aqui.
Para quem vem “dentro dos conformes”, venha de coração aberto e sem conceitos pré-concebidos. Aqui tem espaço para todos que querem ocupar lugar no mundo e estão disposto a lutar e trabalhar por isso. A Alemanha e os alemães as vezes enervam… mas tu não conheces nenhum brasileiro irritante não?

– Você gostaria de recomendar algum web site ou blog relacionado à esse país?
Viver na Alemanha
Meu site
Alemanha Atual

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15 Respostas

  1. Arrasou!!!
    Há tempos queria ver a Ciça por aqui e foi um doce deleite poder ler esse post 🙂

    Valeu Guerreira!!!

  2. Mi, obrigada pela oportunidade viu? Me sinto quase gente humana!!

  3. […] ter de dar pausa de novo… Pausa Minha entrevista lá nos Expatriados foi publicada. Nao quer ir lá dar uma lida??? (pergunta retórica: VAI LÀ, finge que gostou e […]

  4. Égua eu sou tua fã!!! fica famosa logo!

  5. A Ciça continua levando a vida com umhumor insuperável. Ela falou algo interessante: tem gente que não tem jeito para aprender línguas. E estaciona.
    Eu tenho dificuldade para falar o sueco e por isso já vou retomar o curso final do mês. aqui, sem falar fluente fica difícil evoluir. E eu preciso falar muito para vender meus projetos.

    PARABÉNS, CIÇA, PELA ENTREVISTA.

    SORTE! DIAS FELIZES,S EMPRE.

  6. A Ciça além de bonita é inteligente,foge as regras da natureza,rs rs…falando sério ,amei a entrevista foi muito sincera e realista ,… penso igualzinho quando o assunto é respeito entre outras coisas citadas.

  7. Égua, que surpresa, vc por aqui! Adorei sua entrevista.

  8. Adorei, Ciça!! E a Vivi tem razão: faztempo que esperava ver a Ciça por aqi!
    Beijo e queijo!

  9. Égua da expatriada pai d’égua!!! Esses conselhos ela me deu quando pedi ajuda dela e eu ainda nem morava aqui, isso fois há uns 2 ou 3 anos…fiquem ligad@s pois são valiosos!

  10. Manazinha, té que enfim vc por aqui tb afinal, buiterlander (estrangeiro) mor como você não tem!
    Duas vezes expatriada! 🙂
    Querida, desejo sucesso!

  11. Mana veia! finalmente tu deste teu depoimento, caudique eu tava curiosa para saber como eh viver no meio de frances e alemao, affffffffff
    Alemao tem jeito de ser racudo, bravo e frances tem jeito de ser metido a besta e nem ingles falar p nao dar o braco a torcer, hehehehehehe
    Quando estive na Franca, no aeroporto nao tinha um cristo q se dispusesse a falar ingles, ficavam empurrando um pro outro.
    Gostei de saber de tudim, afinal deixar uma patria e partir para duas eh f$$@#@
    Beijo grande e me mijo de rir com tu, num tem jeito de tu escrevinha uns livrim para nois brasileiros q veve fora para rir com tuas paicadas? bj

  12. Cica, sua entrevista ficou ótima. Mas ainda estou pra conhecer uma família de 4 pessoas que viva com €1.200 euros mensais e ainda consiga economizar para as férias!!! No mais, concordo e assino em baixo. Um abraco, Sandra

  13. Cica,

    Gostei muito da sua entrevista. Boa sorte.
    Estou indo morar na Alemanha depois do ano novo.
    A minha mudança está sendo radical. Pois trabalhava em uma empresa a 21 anos, adorava o meu trabalho e as pessoas. Como o meu esposo recebeu a proposta da empresa resolvi mudar.

    Meire

  14. Oi Cica! Gostei muito da sua entrevista.
    meu nome e Renata e a 9 meses estou morando em Luxemburgo. Eu queria saber se voce pode me ajudar…estou querendo mandar uma televisao usada para o Brasil. Quando eu morava nos E.U.A tinha um servico de mandar caixas por navio, voce conhece algum servico perecido ai na Alemanha?
    Ficarei muito grata se voce puder me ajudar e minha familia ficara muito feliz.
    Desde ja muito obrigada.
    Meu e-mail e renatalux@ymail.com

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