Coração teuto-brasileiro

Bibiana na AlemanhaPrestes a se formar pela segunda vez e às vésperas de completar os temíveis 30 anos, a estudante gaúcha trocou os empregos tranqüilos e o apartamento mobiliado que tinha por um estágio incerto na Alemanha. Apesar da vida dura e da grana curta, a idéia é não abandonar a terra do chucrute tão cedo. Os porquês você descobre nesta entrevista.
 
- Nome:
Bibiana

- Onde nasceu e cresceu?
Porto Alegre (RS)

- Em que país e cidade você mora?
Hamburgo, Alemanha.
Bibiana na Alemanha

- Você mora sozinho ou com sua familia?
Sozinha

- Há quanto tempo você reside nesse local?
Desde novembro de 2010

- Já residiu em outro(s) país(es) antes dessa experiência?
Sim, no sul da Alemanha por oito meses (quando eu tinha 15 anos)

- Qual sua idade?
29 anos

- Quando surgiu a idéia de residir no exterior?
Como o meu sonho é ser correspondente internacional, a idéia existiu desde sempre. Ano passado me dei conta de que estava adiando esse sonho e que era hora de agir. Como a oportunidades de estágio na http://pt.bab.la/, na Alemanha, foi a primeira que apareceu, agarrei com unhas e dentes.

- Foi difícil conseguir o visto de residência ou o visto de trabalho?
O contrato de trabalho demorou umas duas semanas, mas quem cuidou disso foi a AIESEC aqui da Alemanha. O meu visto de residência saiu no mesmo dia em que eu entrei com o pedido, o que foi quase um milagre *normalmente ele demora de 6 a 8 semanas).

- Você tem seguro saúde? Foi difícil obtê-lo antes ou depois da sua chegada?
Tenho, sim. Contratei a Care Concept * http://www.care-concept.de/index_eng.htm?navilang=eng *, porque eles emitiam na hora um comprovante de seguro-saúde, necessário para obtenção do visto. Até agora não precisei ir ao médico, então não sei se ele funciona realmente.

- Você trabalha? Como a renda familiar é obtida? 
Sou formada em letras (Port.-Alemão) e estudo Jornalismo. Meu emprego aqui tem mais a ver com a parte relacionada a língua; trabalho no portal http://pt.bab.la/, adicionando palavras ao dicionário Port.-Alemão, Português – Inglês e Português-Espanhol, desenvolvendo testes, e assim por diante.
O trabalho eu obtive através da AIESEC e é um estágio. Devo ficar aqui no mínimo até março, mas há perspectiva de mais tempo… tudo vai depender dos resultados que eu obtiver aqui.
O processo de seleção mais a obtenção do visto de trabalho demoraram cerca de quatro meses… Já me avisaram aqui que, se eu quiser procurar outro estágio, tenho que me preparar, porque vai demorar de novo.

- Se a resposta anterior foi sim, você mudou de área depois da saída do Brasil ou continua no mesmo setor?
Mudei o foco: voltou a ser línguas (e menos Jornalismo)…

- Você fala a língua local? Você acredita que é importante aprender a língua local?
Falo alemão, sim, com relativa fluência. Embora aqui em Hamburgo quase todo mundo fale super bem inglês, os estrangeiros quem sabem falar alemão têm grandes vantagens. Tenho a impressão de que os alemães gostam quando tentamos falar a língua deles… e daí eles são ainda mais simpáticos. Quem quiser entrar de cabeça na cultura alemã tem que saber alemão, nem que seja o básico. Isso facilita na hora da aproximação (que mesmo assim não é fácil), e  a criação de laços.

- O que você pensa sobre seu novo país e o local onde mora (e/ou onde morou)? Eles respeitam os Brasileiros e outros expatriados vivendo nesse país?
Como minha família é de origem alemã, a cultura alemã não me é completamente exótica. O que eu acho engraçado agora é que estou conseguindo ver aqui o que eu tenho de alemã (pela educação) e o que eu tenho de brasileira. No geral, me sinto muito bem e não teria problemas em morar aqui por mais alguns anos.
Em geral, brasileiros são vistos com simpatia aqui. O único problema que vejo é a imagem das brasileiras na Europa em geral: por causa do Carnaval e do jeito mais próximo dos brasileiros (a gente beija e abraça sem problemas), muitos alemães confundem simpatia e alegria, em fazer festa com “sexo fácil” e se passam um pouco às vezes, achando que, em se tratando de brasileiras, tudo é liberado.
Como sou branca e tenho olhos claros, não senti nenhum tipo de preconceito com relação à cor de pele… mas já ouvi de alguns amigos negros aqui que o racismo aqui não é raro, mas muito sutil.

- Você tem filhos? Se sim, eles se adaptaram ao novo país? Estudam e têm amigos locais?
Não tenho filhos ainda.

- Sente saudades da familia no Brasil? Sente falta de produtos, alimentos e outras peculiaridades?
Estou há pouco tempo aqui, mas sinto saudades da família e dos meus amigos… também sinto falta da alegria brasileira, dos sorrisos e da bagunça colorida. Tenho saudades também do chimarrão, da goiabada, do pão de queijo e das frutas…

- O que costuma fazer nas horas vagas, finais de semana e feriados? Quais as atividades recreacionais existentes?
Durante o inverno, os alemães mais abastados vão esquiar nos Alpes com a família toda, ou viajam para locais onde agora é verão… como eu não tenho dinheiro pra isso, opto por coisas mais baratas como patinar no gelo, visitar museus ( a entrada sempre tem desconto para estudantes) e cidades vizinhas. Também nunca recuso convites para sair.

- Você tem planos para o futuro? Pretende viver nesse país para sempre?
Eu gostaria de trabalhar aqui como jornalista, mas para isso preciso me qualificar mais… não quero voltar para o Brasil tão cedo, mas não sei onde vou morar depois que terminar meu intercâmbio aqui, nem quando ele vai terminar.

- Você comprou ou alugou o local que reside? Quanto pagou ou paga por isso? Comprar imoveis é algo comum nesse país?
Eu alugo um quarto, em uma casa afastada da cidade. O aluguel mais as despesas com água e aquecimento me tomam quase metade do salário, ou seja, 250 Euros. Hamburgo é a segunda cidade mais cara da Alemanha em se tratando de imóveis, ultrapassando Berlim. Quem quiser morar aqui ou comprar uma casa tem que recorrer à ajuda de uma agência ou, no mínimo, saber muito bem alemão para saber onde procurar e como negociar.

- Qual o custo de vida?
Ganho 600 Euros por mês, vivo apertada e, para poder me dar o luxo de comprar roupas e sair nos finais de semana, eu recorro às minhas economias.

- Quais os pontos positivos e negativos de morar nesse país?
Pontos positivos: segurança, oportunidades de trabalho (pelo crescente interesse econômico no Brasil), qualidade de vida em geral, sistema público de educação e transporte.
Pontos negativos: burocracia (principalmente para quem não é cidadão europeu), adaptação cultural, clima

- Qual a curiosidade que mais te chama a atenção nesse país?
Os alemães são muito reservados. Eles dificilmente dão o primeiro passo no que se refere a relacionamentos – tanto relativos a amizade ou  a amor. O contato físico (abraços, por exemplo) é restrito, o que para um brasileiro incomoda um pouco. É preciso ter um pouco de paciência e não se deixar desanimar. Com o tempo, laços são criados, e de forma duradoura. Um amigo alemão é um amigo para a vida toda.

- O país que você reside tem alguma coisa que é usado no dia a dia que você acha que seria interessante ser implementado no Brasil?
Segurança. Hamburgo é enorme, mas mesmo assim posso andar sozinha na rua à noite, sem problemas. Outra maravilha é o transporte: trem, ônibus e, se precisar, táxi levam a todos os cantos possíveis da cidade. E, nos finais de semana, é possível andar de trem durante a madrugada.

- Você tem sugestões ou dicas para pessoas que pretendem viver nesse país?
Aprender bem alemão e inglês e estudar um pouco da cultura alemã.

- Se pudesse descrever em uma palavra a experiencia que esta vivendo nesse país, qual seria?
Ausgezeichnet! (Passa lá no http://pt.bab.la para saber o que significa).

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4 Respostas

  1. Lendo sua entrevista me lembrei dos tempos de estudante em Freiburg.. A vida era legal mesmo com o orçamento apertado na época tinha una bolsa de 560Euros.. ;)
    A Alemanha estará para sempre no meu coração e gostaria de ter novamente a chance de morar aí!!

  2. Bibiana,

    Parabéns pela sua entrevista.
    Morei na Alemanha durante 2 anos, voltei a morar no Brasil no dia 28/dezembro.

    Boa sorte.

  3. Parabens pela entrevista!
    Sabes, gostaria de PUBLICAR NO BLOG SOBRE “COMO VC, ESPOSA EXPATRIADA” PRETENDE PASSAR O CARNACVAL FORA DO BRASIL??? Que achas? Vc poderia me enviar uma “frase”? Mil bjs!

  4. Bibiana,

    Adorei sua entrevista! Voce ainda continua na Alemanha? Gostaria de entrar em contato com voce.
    Se puder manda um ola para taiz_mattos@yahoo.com
    Gostaria de atualizar algumas informacoes,
    Se puder me ajudar.
    Muito Obrigada! bjs

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