Vida em New Jersey

Anathalia em Nova JerseyAnathalia nasceu nos Estados Unidos mas cresceu em Vilha Velha. Aos 16 anos, morou na França por pouco mais de 1 anos, mas foi somente em 2008 que ela resolveu voltar as origens e se mudou para os Estados Unidos. Casada e residente no estado de New Jersey, ela nos conta um pouco de sua experiência da terra do “Yes, we can!“…

- Nome:
Anathalia

- Onde nasceu e cresceu?
Nasci em Ann Arbor, Michigan, EUA e cresci em Vila Velha, Espírito Santo, Brasil.

- Em que país e cidade você mora?
New Jersey, EUA

- Você mora sozinho ou com sua familia?
Moro com meu marido, Nelson.

- Há quanto tempo você reside nesse local?
2 anos.

- Já residiu em outro(s) país(es) antes dessa experiencia?
Morei na França durante 1 ano e 3 meses quando eu tinha 16 anos. Meu pai foi estudar e a família foi junto.

- Qual sua idade?
27 anos.

- Quando surgiu a idéia de residir no exterior?
Desde que voltei da França tinha a idéia de morar fora novamente, talvez quando terminasse a faculdade. Nelson, que já tinha morado nos EUA, também tinha vontade de morar fora de novo. Esse era um assunto recorrente entre a gente.

- Foi difícil conseguir o visto de residência ou o visto de trabalho?
Um dos fatores que influenciaram a nossa escolha pelos EUA foi eu ter nascido aqui e não precisar de visto. Por isso o processo do visto de Nelson foi bem simples: eu como cidadã Americana fiz o requerimento para o visto dele. Tudo saiu bem rápido e hoje ele já é cidadão Americano.

- Você tem seguro saúde? Foi difícil obtê-lo antes ou depois da sua chegada?
Sou segurada como dependente do meu marido no seguro de saúde fornecido pelo trabalho dele.

- Você trabalha? Como a renda familiar é obtida?
Trabalhei por pouco mais de um ano como assistente de um advogado. Desde julho não trabalho, apenas estudo. Comecei um mestrado em Relações Internacionais.

- Se a resposta anterior foi sim, você mudou de área depois da saída do Brasil ou continua no mesmo setor?
Eu me formei em Direito no Brasil e meu diploma não é reconhecido aqui. Para trabalhar como advogada, eu teria que fazer um certo número de créditos na faculdade de Direito ou fazer o L.L.M., mestrado em Direito, que me daria os créditos necessários para prestar a prova da Bar Association (a “OAB Americana”) e poder exercer a profissão. Como de qualquer forma eu teria que voltar pra escola, resolvi tentar algo novo.

- Você fala a língua local? Você acredita que é importante aprender a língua local?
Acho imprescindível aprender a língua local. Na minha opinião, além de ser necessário pra você “funcionar” (ler placas, pedir direções, fazer compras, ler jornal, ver tv, ir ao cinema, fazer pedido no restaurante, ir ao médico, etc), falar a língua mostra que você tem consideração e interesse pelo país que você escolheu pra ser sua nova casa.

- O que você pensa sobre seu novo país e o local onde mora (e/ou onde morou)? Eles respeitam os Brasileiros e outros expatriados vivendo nesse país?
Eu gosto bastante, se não gostasse não estaria mais aqui! Hahaha! Acho que, se você conseguir se manter fora do esquema trabalhar-trabalhar-trabalhar pra ganhar cada vez mais e mais dinheiro e poder comprar cada vez mais e mais coisas, dá pra levar uma vida tranqüila e com certa qualidade. Apesar do que se houve falar sobre povo Americano, acho que de modo geral (veja bem que disse de modo geral!) eles são até bem tolerantes em relação a estrangeiros, pelo menos nas regiões metropolitanas. O que não falta por aqui é estrangeiro (parece que tem mais estrangeiro do que americano!) e pessoalmente nunca fui destratada por ser brasileira.

- Você tem filhos? Se sim, eles se adaptaram ao novo país? Estudam e têm amigos locais?
Não tenho filhos.

- Sente saudades da familia no Brasil? Sente falta de produtos, alimentos e outras peculiaridades?
Sinto muitas saudades da minha família e dos meus amigos, mas a gente aprende a conviver com isso. Não sinto muita falta da comida não. De vez em quando dá vontade de comer alguma coisa específica, tipo um pão de queijo ou um bobó de camarão, mas passa. Particularmente, adoro o fato de que aqui você consegue encontrar comida de qualquer parte do mundo. Na micro-cidade em que moro, por exemplo, dá pra comer comida irlandesa, italiana, mexicana, japonesa, chinesa, turca, tailandesa, grega, argentina, francesa, indiana, espanhola… Só não tem brasileira. Hahaha! Mas se eu sentisse muita muita falta mesmo, acho que não teria problema em encontrar produtos brasileiros, já que há menos de 40 minutos da minha casa tem uma comunidade brasileira bem grande (Newark, NJ).

- O que costuma fazer nas horas vagas, finais de semana e feriados? Quais as atividades recreacionais existentes?
O que não falta é coisa pra fazer por aqui. Eu gosto muito de comer (rs!), então sempre vamos a restaurantes. Também sempre vamos ao cinema. Como moramos bem perto de Nova Iorque (apesar da preguiça que dá de vez em quando de ir até lá), nós aproveitamos pra ir a óperas, ballets, museus, teatros e turistar um pouco. Aqui em New Jersey e lá em Nova Yorque, durante o verão os parques ficam sempre cheios e tem um monte de feirinha de rua, tudo pra aproveitar o pouco tempo em que dá pra fazer atividades ao ar livre sem morrer de frio. Acho que dedicar tempo a “home improvement” e jardinagem é a maior diferença entre o costume americano e o brasileiro. Americano adora pintar casa, derrubar parede, construir outra no lugar, plantar, construir um lago no jardim etc. No Brasil isso não é comum, até porque construir ou derrubar parede por lá não é projeto fácil, né? Com certeza existem outras diferenças, mas essa é a que me vem à cabeça agora.

- Você tem planos para o futuro? Pretende viver nesse país para sempre?
Pra sempre é muito tempo, né? Rs! Mas, por enquanto, o plano é ficar por aqui pelos EUA mesmo.

- Você comprou ou alugou o local que reside? Quanto pagou ou paga por isso? Comprar imoveis é algo comum nesse país?
Alugamos o apartamento em que moramos. Comprar imóvel faz parte do sonho Americano. Geralmente eles compram uma casa com a intenção de morar nela por muuuito tempo, é nela em que seus filhos vão nascer e seus netos vão te visitar.

- Qual o custo de vida?
Essa é uma pergunta complicada. Vai depender não só do estilo de vida que a pessoa quer levar, mas também do lugar em vai morar. Até no mesmo estado isso pode variar bastante. Aqui na região onde moro a renda familiar varia entre uns $120,000 a uns $150,000/ano. Lembrando que esse é o valor bruto, ainda têm que ser descontados os impostos federais, estaduais e previdência social.

- Quais os pontos positivos e negativos de morar nesse país?
Na minha opinião, o fato de que é possível ter um nível de vida decente independente do tipo de trabalho que você faz (você não precisa ser médico, dentista ou advogado pra conseguir pagar as contas e sobrar um dinheirinho pra se divertir) é um dos maiores pontos positivos dos EUA.
Pra mim, estar longe da minha família é o maior ponto negativo de morar aqui.

- Qual a curiosidade que mais te chama a atenção nesse país?
Eu acho interessante como (quase) tudo funciona como deve funcionar. Um exemplo é o imposto de renda. Na mesma hora você já sabe quanto vai receber de volta (ou ter que pagar a mais) e em poucos dias o dinheiro que você deve receber de volta está depositado na sua conta. Nada de esperar meses a fio esperando o seu “lote“ sair. Agora, posso dar um exemplo de uma coisa que não funciona nada por aqui? Internet banking. Nesse quesito, o Brasil está anos-luz na frente dos EUA!

- Você tem sugestões ou dicas para pessoas que pretendem viver nesse país?
Acho válido esclarecer que se mudar para os EUA não é sinônimo de ficar rico ou ganhar na loteria. Pra ganhar muito dinheiro aqui tem que ralar como em qualquer outro lugar do planeta. Também acho importante os futuros imigrantes terem consciência de que o paraíso não existe. Todo lugar tem seus problemas e seus defeitos. Uma vez que você está num novo país, não tente fazer uma reprodução da sua vida no Brasil, essa é a receita da infelicidade. Desprenda-se e se disponha a conhecer coisas novas, sua vida vai mudar e nada será igual. Daí depende de você fazer disso uma coisa boa ou uma coisa ruim.

- Se pudesse descrever em uma palavra a experiência que esta vivendo nesse país, qual seria?
Nossa, que difícil essa pergunta! Sou péssima com essas coisas definitivas, que não pode colocar uma explicaçãozinha do lado. Rs!

- Você gostaria de recomendar algum web site ou blog relacionado à esse país?
No site http://www.mundopequeno.com/ tem um monte de blogs de pessoas que moram não só nos EUA como também em outros países. Eu tenho um blog, http://anathalia.blogspot.com, mas que não é dedicado especificamente a falar sobre os EUA.

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14 Respostas

  1. Engraçado, Ana, apesar de acompanhar seu blog, não tinha idéia de que vc tinha nascido nos EUA. :)

    bjos

    • Bia, acho que nem nunca falei sobre isso lá no blog! Geralmente só me lembro que sou Americana quando tenho que lidar com questões burocráticas! :)

  2. Ana sua entrevista está bem interessante. Desejo sorte e muito sucesso.
    Um abraco,
    Lu

  3. “Uma vez que você está num novo país, não tente fazer uma reprodução da sua vida no Brasil, essa é a receita da infelicidade.” – VERY TRUE!!!

  4. não mudaria uma vírgula, a não ser no fato de voce ainda se considerar “estrangeira”. voce não é! nasceu aí e tem duas cidadanias. no mais, impecácel!…

    • Pois é, pai, mas como disse pra Bia ali em cima, só me lembro disso às vezes. Na maior parte do tempo sou mesmo é brasileira! :)

      • Pow, gostei da sua lógica, mta gente gostaria de ser qualquer coisa… menos brasileiro… parabéns pelo fato de sentir brasileira apesar de não ter nascido aqui… esses países são bons justamente por causa do povo que se orgulha de ser o que é.

  5. Parabens pela clareza, lindona!
    E e a mais pura verdade…a renda familiar depende de onde vc mora mesmo.
    Valeu!!

  6. Aninha não sabia que vc era americana :)
    Gostei conhecer um pouco mais de vc
    Bjoaks

  7. Nossa Anathalia, adorei tudo o que voce falou. Conheco muitos brasileiros que vem p ca e vivem reclamando da vida que levam, entao por que continuam aqui? Se necessitam entao aprendam a ser gratos por ter a chance de estar aqui. E outra coisa que concordo com voce, que muitos vem p cah e nao “se desvinculam” da vida que tinham no Brasil, comparam tudo… isso acaba fazendo a adaptacao muito mais dificil. Amei! Ah, e eu tb nao sabia que voce tinha nascido aqui, haha. Beijos e te vejo pelo blog!

  8. ola eu queria saber se é muito caro viver em nova jersei.
    queria tambem perguntar como voce paga 120 a 150 mil de renda familiar por ano.pois para isso tem de ser riquissima ou nao ?

  9. sou formada em direito e quero exercer a profissão de advogada lá, o que eu tenho que fazer como funciona?

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